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Mercado europeu de escritórios enfrenta redução da oferta até 2027

Escritórios - Imagem de Jacques GAIMARD por Pixabay

Mercado europeu de escritórios enfrenta redução da oferta até 2027

15 de junho de 2026

As rendas dos escritórios prime na Europa continuam a subir, impulsionadas pela escassez de oferta de qualidade, pela redução da atividade promotora e pelo aumento dos custos de construção. A conclusão é do estudo European Office Development – Q1 2026, da Savills, que aponta para um mercado cada vez mais pressionado pela falta de novos projectos em localizações estratégicas.

No primeiro trimestre de 2026, a área ocupada de escritórios na Europa atingiu cerca de 1,8 milhões de metros quadrados, um valor cerca de 3% inferior à média dos últimos cinco anos. A maior parte da oferta disponível concentra-se em edifícios mais antigos e em zonas secundárias, enquanto os espaços prime nas áreas centrais permanecem escassos, sustentando a valorização das rendas.

Segundo a Savills, o volume de novos edifícios de escritórios concluídos deverá atingir 3,5 milhões de metros quadrados em 2026, um valor semelhante ao registado em 2025, mas 28% abaixo do pico alcançado em 2022. A tendência deverá intensificar-se em 2027, ano em que a consultora prevê uma redução adicional de 23%, para 2,7 milhões de metros quadrados.

A diminuição da actividade promotora resulta, sobretudo, da quebra dos novos projectos lançados desde 2023, num contexto marcado pelo aumento dos custos de construção, pelas taxas de juro elevadas e por uma maior prudência dos investidores.

Desenvolvimento especulativo em mínimos

O estudo revela ainda que apenas 1,5% do espaço de escritórios actualmente em desenvolvimento na Europa corresponde a projectos especulativos previstos para os próximos dois anos, metade do registado há quatro anos, quando este indicador rondava os 3%.

Entre os mercados que apresentam maior volume de espaço especulativo em pipeline até ao final de 2027 destacam-se Bucareste, London City e West End.

Empresas optam por renovar contratos

Apesar da desaceleração económica, a procura por escritórios mantém-se relativamente estável, embora as empresas estejam a adotar uma postura mais cautelosa nas suas decisões imobiliárias.

A combinação entre taxas de juro elevadas, inflação próxima dos 3% na Zona Euro e a persistente incerteza geopolítica tem levado muitas organizações a privilegiar a renovação dos contratos existentes, evitando mudanças que impliquem investimentos adicionais em novas instalações.

A evolução, contudo, não é homogénea entre os diferentes mercados europeus. Dublin, Budapeste e Amesterdão registam níveis de ocupação superiores às respetivas médias dos últimos cinco anos, enquanto mercados como a Alemanha e a França evidenciam uma maior contenção na procura.

Ainda assim, a Savills prevê um crescimento da ocupação em torno dos 3% ao longo de 2026, desde que o contexto económico internacional não se deteriore significativamente.


Sustentabilidade reforça atractividade dos edifícios prime

Para Mike Barnes, Director de European Office Research da Savills, a procura por escritórios de elevada qualidade continua sólida, particularmente nas localizações centrais.

Segundo o responsável, a conjugação entre a escassez de nova oferta, os elevados custos de construção e o reforço das exigências ambientais está a direccionar investidores e ocupantes para edifícios mais eficientes e sustentáveis.

“Quem oferece espaço eficiente, bem localizado e com boa performance energética está em vantagem”, resume.

Lisboa e Porto beneficiam da tendência de reabilitação

Em Portugal, estas dinâmicas também se fazem sentir, sobretudo nos mercados de Lisboa e Porto, onde a reabilitação de ativos existentes assume um papel cada vez mais relevante.

De acordo com Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, a forte dinâmica registada nos últimos anos na capital portuguesa tem sido impulsionada pela instalação de novas empresas internacionais.

“Acesso a talento qualificado, competitividade de custos, qualidade de vida e um ambiente de negócios cada vez mais atractivo para o investimento internacional explicam estes resultados”, afirma.

O responsável sublinha ainda que as estratégias de localização das empresas começam a expandir-se para outras cidades portuguesas com características semelhantes, reforçando a atratividade do país enquanto destino para novas operações empresariais.

A Savills considera que a conjugação entre procura estável, pipeline reduzido e baixos níveis de desenvolvimento especulativo continuará a exercer pressão sobre as rendas prime nos próximos anos, beneficiando os proprietários e investidores capazes de transformar ativos existentes em edifícios modernos, eficientes e sustentáveis.