
Alexandre Castro Martins, Director de Vendas da Soprem Wood
O Material do Século XXI Já Existe
Se um extraterrestre chegasse hoje à Terra e observasse a forma como construímos, provavelmente ficaria confuso. Temos à nossa disposição um material renovável, capaz de armazenar carbono, com excelentes propriedades estruturais e que cresce naturalmente sem necessidade de processos industriais pesados para a sua criação.
E, ainda assim, continuamos a olhar para ele como uma solução secundária. Esse material chama-se madeira.
Durante décadas habituámo-nos a associar progresso ao betão e ao aço. Foram esses materiais que acompanharam a urbanização acelerada do século XX. Mas uma solução que funcionou bem no passado não é necessariamente a melhor resposta para os desafios do futuro.
Precisamos de mais habitação, precisamos de construir mais depressa e precisamos de reduzir o impacto ambiental da construção. A questão já não é apenas como construir. É como construir melhor. É aqui que a madeira começa a ganhar relevância.
O mais interessante é que a inovação associada à madeira não está na floresta. Está na indústria. Hoje, edifícios, escolas, hotéis e escritórios podem ser produzidos através de sistemas industrializados, fabricados em ambiente controlado e montados em obra numa fração do tempo da construção tradicional.
Numa altura em que a falta de habitação é um dos maiores desafios do país, a velocidade de construção deixa de ser um detalhe técnico para se tornar uma necessidade estratégica. A madeira moderna já não compete apenas pela estética. Compete pela eficiência, pela rapidez e pela sustentabilidade.
Existe também uma ironia curiosa nesta discussão. Enquanto empresas e governos procuram reduzir emissões, continuam muitas vezes a ignorar um dos poucos materiais de construção que, em vez de emitir carbono, o armazena.
Mas talvez o maior obstáculo nem seja técnico nem económico. É cultural.
Continuamos a confiar mais naquilo que conhecemos do que naquilo que os dados demonstram. A madeira continua frequentemente associada a fragilidade, apesar de existirem estruturas em madeira com centenas de anos que permanecem em utilização. A engenharia moderna não reinventou a madeira. Apenas transformou um material cuja durabilidade já estava comprovada num sistema construtivo capaz de responder às exigências do século XXI.
Entretanto, em grande parte da Europa a discussão já terminou há muitos anos.. Países como a Suécia, Finlândia, Noruega ou Áustria constroem edifícios residenciais, escolas, hotéis e escritórios em madeira em larga escala.
Portugal possui floresta, conhecimento industrial e empresas capazes de transformar madeira em produtos de elevado valor acrescentado.
Num mundo que procura construir mais, mais rápido e de forma mais sustentável, talvez a pergunta já não seja porque devemos construir em madeira.
Talvez a verdadeira pergunta seja porque demorámos tanto tempo a voltar a olhar para ela.
Alexandre Castro Martins
Director de Vendas da Soprem Wood
*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico















