Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
JPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Ponta Delgada: Projecto do Hotel Histórico Solar das Necessidades sob ameaça após alerta para risco patrimonial

 

Ponta Delgada: Projecto do Hotel Histórico Solar das Necessidades sob ameaça após alerta para risco patrimonial

20 de janeiro de 2026

O projecto de transformação do Solar das Necessidades, em Ponta Delgada, Açores, num hotel histórico de cinco estrelas está a enfrentar um momento crítico, depois de uma petição subscrita por cerca de 470 cidadãos ter levado o Governo dos Açores a anunciar uma visita técnica urgente ao imóvel, classificado como Imóvel de Interesse Público.

O solar, situado na freguesia do Livramento, é um edifício senhorial da segunda metade do século XVII, classificado desde 1984 e sujeito a um perímetro de protecção de 50 metros, estando qualquer intervenção condicionada por regras legais rigorosas de salvaguarda patrimonial.

A decisão do Governo Regional foi anunciada pela secretária regional da Educação e Cultura, Sofia Ribeiro, durante uma audição na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. A governante revelou que será constituída uma equipa multidisciplinar com especialistas em arquitectura, engenharia, arqueologia, conservação e restauro, cuja avaliação servirá de base ao parecer da Direcção Regional da Cultura.



Imóvel vendido em 2019 após passagem pelo legado do Banif

O Solar das Necessidades foi vendido em Dezembro de 2019, depois de integrar o portefólio da Oitante, entidade que herdou os activos problemáticos do antigo Banif. A alienação foi conduzida pela Altamira Asset Management, que não revelou na altura a identidade do comprador.

O edifício é composto por uma casa rústica T14, com três pisos e uma área bruta de 1.803 metros quadrados, integrando ainda elementos arquitectónicos singulares, como as torrinhas, consideradas raras no contexto açoriano.



Petição alerta para colapsos, vandalismo e alegados furtos

A petição “Em defesa urgente da Quinta das Necessidades” denuncia um estado de degradação avançado do imóvel, referindo o colapso parcial de estruturas, a ruína do primeiro piso em pau-santo, a capela sem cobertura, sinais de vandalismo e alegados roubos de azulejos do século XVII. Os subscritores alertam ainda para o risco iminente de queda de elementos estruturais únicos.

Durante a audição parlamentar, o primeiro peticionário, Henrique Sousa, defendeu uma intervenção imediata das entidades públicas para evitar uma “perda irreparável” de um dos mais relevantes solares senhoriais dos Açores.



Promotores rejeitam abandono e admitem atrasos

Em resposta, como noticiou a imprensa local, Tiago Delgado, accionista da sociedade Solar das Necessidades Hotel, S.A., rejeita qualquer cenário de abandono ou risco iminente de ruína. O empresário garante que já foram investidos mais de quatro milhões de euros num projecto cujo investimento total poderá atingir 37 milhões de euros, classificado como Projecto de Interesse Regional e dependente de financiamento comunitário.

Tiago Delgado atribui os atrasos à pandemia, às alterações nas regras do Portugal 2020 e ao atraso no arranque do Portugal 2030, reconhecendo que a degradação do telhado agravou o estado do edifício. Admitiu ainda que não foi executada atempadamente uma obra de contenção estrutural, por não preverem um atraso tão prolongado, mas revelou que existe um projecto de contenção submetido à autarquia em Outubro de 2025, ainda sem aprovação.

Quanto aos azulejos, garante que foram removidos com autorização oficial, estão catalogados e a ser restaurados por uma empresa especializada no continente.
 


Autarquia defende preservação do património

O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral (PSD), afirmou não ter dúvidas de que a intervenção prevista preserva o valor histórico do imóvel, sublinhando que o projecto foi avaliado positivamente pelos serviços técnicos municipais.

O projecto arquitectónico da construção e reabilitação do Hotel Histórico Solar das Necessidades é da autoria do atelier RRJ Arquitectos, liderado por Rui Pinto Gonçalves e Susana Baeta, com interiores assinados pela designer espanhola de renome internacional Isabel López Vilalta. Caso a candidatura ao Portugal 2030 seja aprovada, os promotores admitem o arranque das obras ainda este ano, com um prazo de execução entre dois e três anos.

Entre a urgência da salvaguarda patrimonial e a expectativa de valorização turística, o futuro do Solar das Necessidades passa agora pela avaliação técnica do Governo Regional e pelas decisões das entidades de tutela cultural.

Imagens cortesia RRJ Arquitectos

Veja o vídeo do projecto AQUI

PUB
1.ª Beach Party DI
PUB
PUB
MAP2026AYH ESAI
Habitação
Câmara do Porto atribuiu 300 habitações sociais por ano nos últimos quatro anos – revela vereadora
20 de janeiro de 2026