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Imobiliário português capta 892 milhões no primeiro trimestre, mais 37% do que em 2025

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Imobiliário português capta 892 milhões no primeiro trimestre, mais 37% do que em 2025

15 de maio de 2026

O arranque de ano foi marcado pela procura por activos prime, forte dinamismo nos sectores da hotelaria e retalho e sinais distintos nos mercados de escritórios, logística e habitação, segundo a Dils Portugal.


HOTELARIA
Hotelaria arranca 2026 com 89 novos hotéis e reforço da procura turística

O sector hoteleiro manteve um arranque positivo em 2026, impulsionado pela procura turística e pelo reforço da oferta, segundo a mais recente análise da Dils Portugal.

Nos últimos 12 meses, Portugal registou cerca de 82 milhões de dormidas, um crescimento de 2% face ao período homólogo, com destaque para os mercados do Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. O mercado norte-americano foi o que apresentou a evolução mais expressiva, com um aumento de 5%.

No primeiro trimestre do ano abriram 89 novos hotéis, acrescentando cerca de 758 quartos ao stock nacional. Até ao final de 2026 está prevista a entrada de mais 4.500 quartos no mercado, prolongando o actual ciclo de expansão do sector.

Ao nível operacional, as taxas de ocupação estabilizaram nos principais destinos turísticos, enquanto o ADR (Average Daily Rate - Preço Médio Diário) continuou a subir, reflectindo a capacidade dos operadores em sustentar valor.

Porto e Algarve destacaram-se com crescimentos próximos de 2% no RevPAR, enquanto Lisboa manteve um desempenho considerado estável.

Segundo a Dils, o sector da hotelaria continua a ser um dos mais atractivos para o investimento imobiliário, tendo concentrado 38% do volume transaccionado no primeiro trimestre de 2026.


ESCRITÓRIOS
Investimento em escritórios cai 54%, mas procura mantém foco em activos prime

O mercado de escritórios registou um volume de investimento de 40,5 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, uma quebra de 54% face ao mesmo período do ano passado, segundo dados a Dils Portugal.

Apesar da retracção no investimento, a procura manteve-se concentrada em activos prime, bem localizados e suportados por sólidos níveis de ocupação. As yields permaneceram estáveis nos 5%.

Em Lisboa, a absorção de escritórios totalizou 28.913 metros quadrados, reflectindo uma redução significativa face ao período homólogo. Ainda assim, a procura continuou particularmente dinâmica nos edifícios de nova geração, reforçando a tendência de “flight to quality”.


Imagem do edifício Wellbe, nova sede da CGD


O projeto Campo Novo registou a maior operação do trimestre, com a ocupação de 4.695 metros quadrados pela Jerónimo Martins.

Nos primeiros três meses do ano foram concluídos oito edifícios de escritórios em Lisboa, acrescentando cerca de 45.500 metros quadrados ao stock disponível. Entre os projectos entregues destacam-se o WELLBE, ocupado pela Caixa Geral de Depósitos, o Rato 11 e o Castilho 26.

Actualmente, encontram-se em pipeline cerca de 294 mil metros quadrados de novos escritórios na capital, dos quais 60 mil deverão ser concluídos até ao final do ano. A renda prime no Prime CBD subiu para 32 euros por metro quadrado por mês.

No Porto, a ocupação de escritórios cresceu 67% no primeiro trimestre, atingindo 7.150 metros quadrados. A Zona Empresarial do Porto concentrou mais de 60% datake-up (absorção), impulsionada pelos novos edifícios concluídos, incluindo o Viva Offices.


INDUSTRIAL E LOGÍSTICA

Investimento em logística supera 150 milhões impulsionado por data centers

O segmento industrial e logístico ultrapassou os 150 milhões de euros de investimento no primeiro trimestre de 2026, registando o crescimento mais expressivo entre os vários sectores imobiliários, segundo ainda a Dils Portugal.

A dinâmica do mercado foi impulsionada sobretudo pelo aumento do interesse em data centers, destacando-se a transacção do Data Center da Covilhã.

Apesar do crescimento do investimento, a absorção logística recuou 16% face ao período homólogo, fixando-se em 65 mil metros quadrados no arranque do ano.

Segundo a consultora, a desaceleração foi particularmente visível na Grande Lisboa e resulta do aumento dos custos de transporte e da subida das rendas, factores que têm levado vários operadores a adiar decisões de expansão ou relocalização.


Covilhã Data Center


Ainda assim, os fundamentais do mercado continuam sólidos, sustentados por um pipeline significativo de novos projectos.

No lado da oferta, foi concluído um activo da Logicor em Canelas com 21.400 metros quadrados. Até ao final do ano está prevista a conclusão de mais de 590 mil metros quadrados de novos espaços logísticos, incluindo projectos como o Panattoni Park Lisbon-City, Malveira Prime Logistics e Barrão Hub.

As rendas prime mantiveram-se estáveis nos 5,50 euros por metro quadrado por mês em Lisboa e nos 5,75 euros no Porto.


RETAIL
Centros comerciais lideram investimento imobiliário com crescimento de 10% nas vendas

O sector do retalho captou 340 milhões de euros de investimento no primeiro trimestre de 2026, com os centros comerciais a concentrarem 67% do volume total, segundo a Dils Portugal.

O desempenho operacional dos centros comerciais continuou a atrair investidores, depois de o segmento ter registado um crescimento recorde de 10% nas vendas em 2025.

Portugal conta actualmente com 111 centros comerciais, estando previstos mais 10.500 metros quadrados adicionais, associados sobretudo à expansão do Colombo e à nova fase do Vila do Conde Outlet.

A renda prime manteve-se nos 130 euros por metro quadrado por mês e a prime yield estabilizou nos 6,25%.

Os retail parks representaram 22% do investimento total no trimestre. O segmento soma actualmente 56 activos em operação e seis novos projectos em pipeline, equivalentes a mais de 77 mil metros quadrados.

No comércio de rua, Lisboa e Porto continuaram a atrair novas marcas internacionais. Em Lisboa destacaram-se as aberturas da Primor e da La Dolceria aRoma no Chiado, enquanto no Porto abriram novas lojas da Fábrica da Nata e da La Freseria na Rua de Santa Catarina.

As rendas prime mantiveram-se estáveis nos 140 euros por metro quadrado por mês em Lisboa e nos 85 euros no Porto.


HABITAÇÃO
Mercado residencial mantém pressão nos preços devido à falta de oferta

O mercado residencial português continua marcado pelo desequilíbrio entre oferta e procura, com a venda de seis casas por cada habitação concluída, segundo a Dils Portugal.
A consultora refere que a procura continua resiliente, sobretudo impulsionada por compradores nacionais, embora com decisões mais cautelosas devido ao contexto económico e às condições de financiamento.

Em Lisboa, zonas como Avenidas Novas, Miraflores, Oeiras e Carcavelos continuam entre as mais procuradas. O valor médio dos novos empreendimentos fixou-se nos 7.429 euros por metro quadrado, apesar de uma ligeira descida trimestral de 2%.

Nas zonas prime, Cascais atingiu os 12 mil euros por metro quadrado, enquanto as Avenidas Novas chegaram aos 10.500 euros.

No Porto, o valor médio dos novos empreendimentos subiu 2% no trimestre, para 4.834 euros por metro quadrado. Foz do Douro, Nevogilde, Cedofeita, Baixa e Matosinhos Sul mantêm-se entre as localizações mais valorizadas, com preços prime próximos dos 6.500 euros por metro quadrado.

A região de Tróia, Comporta e Melides continua também a registar forte procura, com valores prime a variarem entre os 4 mil euros por metro quadrado em Alcácer do Sal e os 15 mil euros em Melides, Carvalhal e Pego.

No Algarve, o mercado mantém-se pressionado pela escassez de oferta. Os preços prime variam entre os 5.500 euros por metro quadrado em Portimão e os 14 mil euros na Quinta do Lago.