
Tomar - Foto cortesia CMTomar
Há 111 concelhos com preços para venda ainda abaixo da média nacional
A valorização do mercado imobiliário em Portugal está a sair dos grandes centros urbanos e a ganhar expressão em territórios até agora menos pressionados. Uma análise do Imovirtual identifica 111 concelhos com crescimento consistente dos preços, mas ainda abaixo da média nacional de 440 mil euros.
O estudo, que abrange 308 concelhos, aponta que estes territórios representam 36% do total analisado e evidenciam uma nova dinâmica no sector, marcada por maior dispersão geográfica da valorização. Em contrapartida, 64% dos concelhos foram excluídos por sinais de saturação ou por não apresentarem crescimento sustentável.
Em média, os 111 concelhos identificados registam preços 43,7% inferiores à média nacional, fixando-se nos 247.863 euros. Em alguns casos, os valores chegam a ser até 80% mais baixos, o que evidencia a forte assimetria existente no mercado. A mediana situa-se nos 239.700 euros.
Apesar de mais acessíveis, estes mercados apresentam uma valorização média anual de 17,4%, indicando uma tendência consistente de crescimento. A diversidade é outro dos traços marcantes, com preços a variar entre 43.500 e 437.500 euros, abrangendo desde territórios de baixa densidade a capitais de distrito com maior dinamismo.
Entre os concelhos com maior potencial destacam-se Góis, Penedono, Vouzela e Pinhel, todos com preços significativamente abaixo da média nacional e valorizações superiores a 30%. Também Tomar surge como um caso relevante, combinando proximidade a centros urbanos com um crescimento expressivo. Já Castelo Branco e Portalegre evidenciam o papel das capitais de distrito neste movimento.
Quase metade destes concelhos apresenta preços inferiores a 250 mil euros, o que reforça o peso dos segmentos mais acessíveis e ajuda a explicar o potencial de valorização no médio prazo.
Outra característica comum é a estrutura da oferta, dominada por moradias, com presença reduzida de apartamentos. Este perfil reflecte uma procura crescente por tipologias mais espaçosas, associadas a menor densidade e melhor qualidade de vida, em contraste com os grandes centros urbanos.
Segundo Sylvia Bozzo, a análise demonstra que existem “territórios com verdadeiro potencial de investimento, onde ainda há margem para valorização sem a pressão típica dos mercados mais saturados”.
Os dados confirmam, assim, uma mudança estrutural no mercado imobiliário nacional, com a valorização a consolidar-se em geografias alternativas e a redesenhar o mapa das oportunidades de investimento em Portugal.















