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BPI prevê que 2026 será o ano com mais fogos construídos desde 2010

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BPI prevê que 2026 será o ano com mais fogos construídos desde 2010

3 de setembro de 2026

O Banco BPI antecipa que 2026 "possa ser o ano com o número mais elevado de fogos construídos desde 2010", prevendo que o aumento de novas habitações concluídas venha a superar em 2% os valores do ano passado.

Segundo uma análise do departamento de estudos do banco, se o ritmo de edificação se mantiver igual ao do primeiro trimestre, em que foram concluídas 6.931 novas habitações, poderá vir a registar-se no final do ano um "incremento de 2% dos novos fogos de habitação face a 2025 e o número mais elevado de fogos construídos desde 2010".

No entanto, o BPI destaca que o ritmo de construção segue a crescer, mas de forma limitada", com o número de fogos de habitação a aumentar sistematicamente na última década, tendo atingido 27.301 em 2025, uma subida de 282% em relação a 2015.

Oferta ainda limitada...

A oferta, ainda limitada, de novos imóveis, a pressão dos custos de construção e a robustez do mercado de trabalho continuam a suportar "uma valorização robusta de preços em 2026", que a publicação sobre o setor imobiliário residencial hoje divulgada pelo BPI estima em 15,7%.

Contudo, o afastamento crescente entre preços da habitação e salários e o aumento de taxas de juro "tende a moderar essa valorização face a 2025".

Desde o início do ano que as expectativas para a evolução dos preços têm vindo a reduzir-se, apontando para uma "estabilização nos próximos meses, sendo esta perspetiva transversal quer a mediadores quer a produtores", indica a mesma análise.

No primeiro trimestre de 2026, o Índice de Preços da Habitação registou uma variação homóloga de 17,8% e, em cadeia, de 3,8%, menos duas décimas do que no trimestre anterior. "Um ritmo de crescimento mais moderado mas ainda muito forte", ressalva o BPI.

O preço médio das casas transacionadas aumentou para 262,8 mil euros, mais 5,1% do que no último trimestre de 2025.

Sinais de abrandamento.

Apesar de a avaliação bancária da habitação também continuar a subir, "existem sinais de abrandamento". A avaliação mediana "perdeu algum fôlego em termos homólogos" e o índice de preços da Confidencial Imobiliário "também desacelerou nos primeiros meses de 2026 (20,4% em termos homólogos em maio vs. 23,4% em dezembro de 2025)".

A nível macroeconómico, o Banco BPI aponta para um aperto monetário "controlado", esperando um eventual aumento das taxas de juro do BCE para 2,5% em setembro, "um outro antes do final do ano (2,75%) e até a possibilidade de alcançar 3% em 2027".

Quanto às novas operações de crédito à habitação, mostraram "uma robustez expressiva no primeiro semestre" do ano, mas o banco antecipa que a introdução das novas regras macroprudenciais do Banco de Portugal, em vigor desde 01 de agosto, "deverá esfriar este dinamismo".

Na primeira metade do ano, as novas operações de crédito à habitação aumentaram 12,1% em termos homólogos.

Lusa/DI