
Amazonia - Foto cortesia da Vista Alegre
Vista Alegre aumenta lucro em 18,9% e reduz dívida no primeiro semestre
O Grupo Vista Alegre fechou o primeiro semestre com um resultado líquido de 4,3 milhões de euros, mais 18,9% face aos 3,6 milhões registados no mesmo período do ano passado. A evolução dos resultados ocorre num contexto marcado pelo aumento significativo do custo do gás, pressionado pelo conflito no Médio Oriente, e acompanha uma melhoria da rentabilidade operacional e da posição financeira do grupo.
O EBITDA atingiu 15,9 milhões de euros, crescendo 6,8% em termos homólogos, enquanto a margem EBITDA passou de 21,2% para 22,3%. Também o resultado operacional aumentou 6,6%, para 8,4 milhões de euros, elevando a respetiva margem de 11,2% para 11,8%.
O desempenho financeiro foi acompanhado por um crescimento moderado da atividade. O volume de negócios consolidado alcançou 71,3 milhões de euros, mais 1,6% do que nos primeiros seis meses de 2025, com crescimento em três dos quatro principais segmentos de negócio.
A Faiança apresentou a maior subida, de 8,1%, seguida do Grés, com 3,5%, e da Porcelana e Complementares, com 0,7%. Em sentido contrário, o segmento de Cristal e Vidro recuou 14,1%, ainda condicionado pela contração do mercado internacional das bebidas premium.
Menos dívida e maior capacidade financeira
A melhoria da rentabilidade foi acompanhada por uma redução da dívida. No final de Junho, a dívida líquida consolidada, após incentivos reembolsáveis por receber, situava-se nos 60,1 milhões de euros, menos 6,4 milhões face a dezembro de 2025.
O rácio entre dívida líquida e EBITDA baixou, assim, de 2,4 para 2,1 vezes, reforçando a capacidade financeira do grupo para suportar novos investimentos e projetos de expansão.
Para o CEO da Vista Alegre, Fernando Daniel Nunes, os resultados demonstram uma empresa “mais rentável, financeiramente mais sólida e cada vez mais internacional”, sustentada numa estratégia assente na valorização das marcas, na expansão internacional e na disciplina operacional e financeira.
Projectos internacionais reforçam carteira
A actividade comercial manteve uma evolução positiva durante o semestre, com o arranque de projectos para marcas como Bialetti e Cartier e o desenvolvimento de novas oportunidades com clientes internacionais, incluindo Dior, Martell e Bellagio. A empresa destaca ainda o reforço da parceria com a IKEA.
A Bordallo Pinheiro registou igualmente uma dinâmica comercial forte, tendo alcançado em Março um recorde mensal de vendas, incluindo a maior transacção da marca na Turquia.
A estratégia de crescimento passa também pela inovação e pelo reforço do posicionamento nos segmentos premium, com o lançamento de novas colecções Vista Alegre e Bordallo Pinheiro e novas colaborações com artistas, designers e instituições.
Investimento industrial de 40 milhões de euros
Entre os principais projetos de crescimento está o Ria III S, uma nova unidade industrial que representa um investimento de cerca de 40 milhões de euros. O projeto está associado a uma carteira de vendas contratadas superior a 400 milhões de euros até 2034.
A nova unidade deverá permitir aumentar a capacidade produtiva, a produtividade e a eficiência industrial, constituindo um dos principais vectores da estratégia de crescimento futuro do grupo.
Apesar da pressão dos custos energéticos e do desempenho negativo do segmento de Cristal e Vidro, a Vista Alegre encerra o primeiro semestre com uma evolução positiva dos principais indicadores de rentabilidade e uma posição financeira mais sólida. A empresa mantém como prioridades a expansão internacional, o crescimento de maior valor acrescentado e o reforço da eficiência operacional.

















