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Quartos em casas partilhadas sob pressão: Procura dispara 27% enquanto oferta recua 11%
O mercado de quartos em casas partilhadas mantém-se sob forte pressão em Portugal. Segundo uma análise do idealista, o preço dos quartos para arrendar registou uma subida homóloga de apenas 1% no segundo trimestre de 2026, mas a evolução da procura e da oferta revela um cenário bastante menos estável.
Entre Abril e Junho, a procura por quartos aumentou 27% a nível nacional, enquanto a oferta disponível recuou 11%. A conjugação destes dois movimentos traduz-se numa maior pressão sobre um segmento que deixou há muito de estar associado exclusivamente ao alojamento estudantil.
Preços sobem na maioria das cidades
Apesar da contenção registada na média nacional, os preços dos quartos aumentaram em 13 dos 20 municípios analisados.
O Funchal e Vila Real lideraram as subidas, com aumentos de 14%, seguidos de Beja, com 12%. Ponta Delgada e Santarém registaram uma subida de 8%, enquanto Setúbal aumentou 7%.
Évora apresentou uma valorização de 6%, enquanto Faro, Guarda e Porto registaram aumentos de 5%. Leiria e Viana do Castelo subiram 3% e Viseu 2%.
Em sentido contrário, os preços recuaram 4% em Bragança e Portalegre. Em Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra e Lisboa mantiveram-se estáveis.
Lisboa continua a liderar preços
Lisboa permanece como o mercado mais caro para quem procura um quarto, com um preço mediano de 550 euros por mês.
O Funchal surge em segundo lugar, com 500 euros mensais, seguido do Porto, com 450 euros. Ponta Delgada apresenta um valor mediano de 430 euros e Faro de 420 euros.
Na faixa dos 400 euros encontram-se Setúbal, enquanto Évora apresenta um preço mediano de 370 euros. Aveiro e Viana do Castelo registam 360 euros, Braga 350 euros, Coimbra 335 euros e Santarém 325 euros.
Entre os mercados com valores inferiores a 300 euros estão Leiria, com 300 euros, Vila Real, com 285 euros, Beja, com 280 euros, Viseu, com 275 euros, Castelo Branco, com 250 euros, e Portalegre, com 240 euros.
A Guarda e Bragança apresentam os preços mais baixos entre as cidades analisadas, com valores medianos de 210 e 220 euros por mês, respectivamente.
Procura cresce mais de 100% em Coimbra e no Porto
A pressão sobre o mercado torna-se particularmente evidente quando analisada a evolução da procura.
No segundo trimestre de 2026, Beja registou o maior aumento, com a procura por quartos a crescer 160% face ao mesmo período do ano anterior. Coimbra surge logo depois, com uma subida de 120%, enquanto o Porto registou um aumento de 104%.
Nestes dois últimos mercados, a procura mais do que duplicou num ano.
Também Évora, com uma subida de 87%, Viseu, com 66%, e Bragança, com 64%, apresentaram crescimentos expressivos.
Lisboa registou um aumento de 17%, enquanto Viana do Castelo avançou 14%. No Funchal e em Leiria, a procura cresceu 5%.
Nem todos os mercados acompanharam esta tendência. Setúbal registou uma queda de 8%, Faro de 9%, Braga de 12%, Castelo Branco de 14% e Portalegre de 19%. Vila Real surge igualmente com uma evolução negativa de 9%.
Oferta diminui precisamente onde a procura mais cresce
Do lado da oferta, o comportamento foi bastante desigual.
Ponta Delgada registou o maior crescimento, com mais 94% de quartos disponíveis, seguida de Bragança, com 73%, e do Funchal, com 65%. Viana do Castelo aumentou a oferta em 40%, Vila Real em 37% e Portalegre em 35%.
Já alguns dos principais mercados urbanos registaram fortes contrações.
No Porto, a oferta caiu 43%, enquanto em Coimbra diminuiu 48%. A situação é particularmente relevante porque são precisamente dois dos mercados onde a procura mais cresceu: 104% no Porto e 120% em Coimbra.
Esta combinação entre procura em forte crescimento e menor disponibilidade pode contribuir para aumentar a pressão sobre os valores praticados, mesmo num contexto em que a média nacional dos preços permanece praticamente estável.
Lisboa também registou uma redução da oferta, de 8%, enquanto Évora recuou 10% e Leiria 4%.
Um mercado que já ultrapassa o universo estudantil
A procura por quartos em casas partilhadas está também a refletir uma alteração dos perfis de quem procura este tipo de solução habitacional.
Embora os estudantes continuem a representar uma parte importante da procura, o quarto arrendado é cada vez mais uma alternativa para jovens nos primeiros anos de atividade profissional, bem como para pessoas que, devido aos elevados custos da habitação, não conseguem ou não pretendem suportar sozinhas uma renda.
Nas principais cidades portuguesas, o preço de uma habitação completa pode representar um esforço financeiro elevado para uma pessoa solteira ou separada. Neste contexto, a partilha de casa permite reduzir os encargos mensais e manter uma maior autonomia face à habitação familiar.
Para muitos jovens, o arrendamento de um quarto tornou-se, assim, uma forma de acelerar a saída de casa dos pais sem assumir o custo integral de uma habitação.
Os dados do segundo trimestre mostram, por isso, um mercado aparentemente estável nos preços, mas com fortes desequilíbrios entre procura e oferta. E, à medida que a partilha de casa ganha espaço como solução para diferentes perfis de arrendatários, o quarto arrendado poderá assumir um peso crescente no mercado habitacional português.
















