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Amadora aposta em construção modular sustentável para habitação pública com potencial de replicação
O município da Amadora, um dos mais pequenos do país em área mas entre os mais densamente povoados, está a desenvolver um novo conjunto de habitação pública no Cerrado da Mira com 48 fogos em regime de renda reduzida, assente num modelo construtivo industrializado e sustentável que poderá servir de referência para outros municípios.
Com cerca de 24 km² e mais de 170 mil habitantes, a Amadora – na Área Metropolitana de Lisboa - apresenta uma das maiores densidades populacionais do país, contexto que reforça a pressão sobre a habitação e a necessidade de soluções mais rápidas, eficientes e acessíveis.
O projecto, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e integrado na Estratégia Local de Habitação, encontra-se em fase final de construção e inclui maioritariamente apartamentos T1, destinados a residentes ou trabalhadores no concelho. As rendas serão calculadas em função do rendimento dos agregados, garantindo uma taxa de esforço até 35%.
O principal elemento diferenciador do empreendimento é o sistema construtivo adoptado, baseado no modelo CREE, desenvolvido pelo Grupo Casais. Esta solução híbrida combina madeira e betão com recurso a módulos pré-fabricados, permitindo reduzir prazos, custos e impacto ambiental.
De acordo com os dados do projecto, o método possibilita uma redução de até 70% nos resíduos de construção, mais de 50% na poluição sonora e cerca de 59% na pegada de carbono, além de encurtar o tempo de execução entre 50% e 70% face à construção tradicional.
A lógica de pré-fabrico e modularidade facilita ainda a reutilização de materiais e a desmontagem futura, alinhando-se com princípios de economia circular e eficiência energética.
A empreitada, adjudicada por cerca de 6,6 milhões de euros mais IVA, inclui a concepção e construção do empreendimento, com um prazo de execução de 540 dias.
O projecto tem já projecção europeia. Delegações do Parlamento Europeu visitam o local no final de Março para analisar a aplicação de soluções de habitação acessível financiadas pelo PRR.
Por ocasião da visita, será realizada visita ao andar modelo, mobilado através de soluções apresentadas com produtos IKEA, fruto da parceria Casais-IKEA.
Num contexto de escassez de oferta de habitação e aumento dos custos de construção não só em Portugal mas na Europa, este modelo surge como uma solução potencialmente replicável, permitindo acelerar a produção de habitação pública com menor impacto ambiental e maior controlo de custos.
















