
Porto
Rendas habitacionais corrigem em Lisboa e estabilizam no Porto no arranque de 2026
O mercado de arrendamento habitacional registou evoluções distintas em Lisboa e no Porto no primeiro trimestre de 2026. Enquanto a capital entrou num processo de correcção dos preços após vários anos de forte valorização, a Invicta manteve uma trajectória de crescimento mais moderada e sustentada.
A conclusão é do mais recente Índice de Rendas Residenciais, divulgado pela Confidencial Imobiliário, que aponta para uma desaceleração do mercado nas duas cidades, embora com intensidades diferentes.
Em Lisboa, a renda média dos novos contratos registou uma descida trimestral de 1,3%, a mais expressiva desde 2021, quando o mercado ainda sofria os efeitos da pandemia. Apesar deste recuo, a cidade continua a apresentar uma valorização homóloga de 6,4%.
A evolução surge após um período de abrandamento gradual do crescimento das rendas. Depois de terem atingido um pico de 29% em 2023, os aumentos anuais têm vindo a perder intensidade, fixando-se agora em níveis mais moderados.
Segundo a análise da Confidencial Imobiliário, este ajustamento reflecte sobretudo uma maior maturidade do mercado e não um sinal de inversão estrutural.
No Porto, a situação é diferente. As rendas dos novos contratos continuam a crescer, ainda que a um ritmo mais contido, registando uma subida trimestral de 0,2% e uma valorização homóloga de 2%.
A cidade mantém, assim, uma trajectória de crescimento mais consistente, sustentada por uma procura estável e por uma menor volatilidade dos preços.
Ciclos distintos entre Lisboa e Porto
A evolução recente confirma que as duas maiores cidades portuguesas atravessam momentos diferentes do ciclo de arrendamento.
De acordo com a análise da Confidencial Imobiliário, Lisboa apresenta agora uma fase de ajustamento após vários anos de forte expansão, impulsionada pelo aumento da procura e pela escassez de oferta.
Já o Porto, apesar de também ter registado um período de crescimento significativo, evidencia actualmente uma maior estabilidade.
Para os especialistas, esta divergência é natural num mercado em maturação e não representa, necessariamente, uma quebra estrutural da dinâmica do sector.
“A divergência entre Lisboa e Porto no 1.º trimestre de 2026 traduz fases distintas do mesmo ciclo de ajustamento. Lisboa parece ter atingido um novo ponto de equilíbrio, com rendas a recuperar gradualmente após o período de correcção. O Porto continua a absorver o excesso acumulado nos anos de expansão, e esta é a quebra trimestral mais expressiva desde o período pandémico — um sinal de que o ajustamento ainda não está concluído”, indica Ricardo Guimarães, director da Confidencial Imobiliário.
Rendas médias mantêm-se elevadas
Apesar do abrandamento, os valores praticados continuam elevados nas duas cidades.
No primeiro trimestre de 2026, a renda média contratada em Lisboa situou-se nos 1.580 euros mensais para um apartamento T2, enquanto no Porto o valor médio foi de 1.352 euros.
Em ambos os casos, os tempos médios de colocação no mercado permanecem reduzidos, situando-se em cerca de três meses, sinal de que a procura continua ativa.
Os dados reforçam a ideia de que, apesar do arrefecimento do ritmo de crescimento, o mercado de arrendamento continua a apresentar níveis elevados de procura, num contexto em que a oferta permanece insuficiente para responder às necessidades habitacionais.















