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Rendas descem em Portugal pelo quinto mês consecutivo

2 de julho de 2026

Os preços das casas para arrendar em Portugal voltaram a cair em Junho, prolongando uma tendência de descida que já dura há cinco meses. Ainda assim, Lisboa continua a liderar o ranking das cidades mais caras para arrendar habitação e vários mercados registam aumentos expressivos, revelando um mercado de arrendamento cada vez mais desigual.

De acordo com o índice de preços do idealista, o custo mediano do arrendamento fixou-se nos 16,3 euros por metro quadrado em Junho, menos 2,4% do que no mesmo mês de 2025. Apesar da descida, os valores permanecem próximos dos máximos históricos, depois de o mercado ter atingido os 17 euros por metro quadrado em outubro do ano passado.

A redução observada em Junho reforça uma trajectória iniciada no início do ano. Depois das quedas de 1,9% em Janeiro, 1,4% em Fevereiro, 1,2% em Março, 2,7% em Abril e 2,9% em Maio, o mercado continua a dar sinais de abrandamento, embora de forma muito diferenciada entre regiões.

Lisboa continua a ser a cidade mais cara

Apesar da ligeira correção anual de 1,7%, Lisboa mantém-se como a cidade mais cara do país para arrendar casa, com um preço mediano de 21,8 euros por metro quadrado. Seguem-se o Funchal (16,8 euros/m²) e o Porto (16,4 euros/m²), embora a cidade invicta tenha registado uma descida homóloga de 5,8%.

Entre as capitais de distrito, Bragança destacou-se pela maior subida anual das rendas, com um aumento de 20,5%, seguida de Santarém e Funchal, ambos com crescimentos de 12,1%, e de Viana do Castelo, onde os preços subiram 10,4%.

Também Setúbal, Castelo Branco, Faro, Évora e Leiria apresentaram valorizações anuais, confirmando que a pressão sobre o mercado de arrendamento continua a alargar-se a vários territórios.

Em sentido inverso, as maiores quedas verificaram-se na Guarda (-23%), Vila Real (-6,7%), Porto (-5,8%) e Lisboa (-1,7%).

Mercado mantém fortes diferenças regionais

A análise por distritos revela igualmente um comportamento heterogéneo. Bragança lidera as valorizações anuais, com uma subida de 35,8%, seguindo-se a Região Autónoma da Madeira (+10,5%), Viana do Castelo (+8,2%), Évora (+7,3%) e Santarém (+7,2%).

Por outro lado, os maiores recuos ocorreram na Guarda (-23%), Vila Real (-6,7%), Porto (-5,8%), Coimbra (-4%), Lisboa (-1,7%) e Faro (-1,1%).

Apesar destas correções, o distrito de Lisboa continua a ser o mais caro para arrendar casa, com um preço mediano de 20 euros por metro quadrado. Seguem-se a Madeira (15,9 euros/m²), Faro (15,5 euros/m²), Porto (14,9 euros/m²) e Setúbal (14,7 euros/m²).

Madeira lidera subida entre regiões

À escala regional, apenas três regiões registaram aumentos anuais das rendas. A Região Autónoma da Madeira lidera com uma valorização de 10,3%, seguida do Alentejo (+10,2%) e dos Açores (+5,1%).

Já o Norte (-6,4%), a Área Metropolitana de Lisboa (-1,3%) e o Algarve (-1,1%) apresentaram descidas face ao mesmo período do ano passado.

Ainda assim, a Área Metropolitana de Lisboa continua a concentrar os valores mais elevados do país, com uma renda mediana de 19,5 euros por metro quadrado, seguida da Madeira (15,8 euros/m²) e do Algarve (15,5 euros/m²).

Os dados mostram que, apesar do abrandamento observado desde o início do ano, o mercado do arrendamento permanece marcado por fortes assimetrias territoriais. Enquanto algumas regiões registam correções nos preços, outras continuam a assistir a aumentos significativos, reflectindo uma procura que permanece elevada em diversos mercados e uma oferta ainda insuficiente para responder às necessidades habitacionais.