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Quem comprou casa em 2025 exige até 27 anos de salário

18 de fevereiro de 2026

Em 2025, comprar casa exige até 27 anos de salário em alguns distritos, enquanto arrendar pode representar até 82% do rendimento mensal, evidenciando níveis elevados de pressão financeira no acesso à habitação, revela o Imovirtual.

De acordo com os últimos dados do portal imobiliário, os preços médios de venda em Portugal cresceram 15,8% entre 2024 e 2025, enquanto as rendas aumentaram 5,5%, aprofundando o desequilíbrio entre o custo da habitação e os rendimentos médios.

A análise do Imovirtual mostra que, no mercado de compra, Faro (27 anos) e Lisboa (26,2 anos) lideram o ranking dos distritos onde são necessários mais anos de rendimento para adquirir habitação. Seguem-se Setúbal (21,9 anos), Porto (18,4 anos) e Braga (18,1 anos), reflectindo a crescente dificuldade de acesso à propriedade nos territórios com maior dinamismo económico e pressão da procura.

No arrendamento, a pressão financeira é igualmente significativa. Lisboa surge como o distrito onde a renda consome maior fatia do rendimento médio mensal, atingindo 82%, seguida de Faro (75,8%), Setúbal (68,6%), Évora (63,9%) e Porto (60,7%). Em dez distritos portugueses, o esforço com a renda ultrapassa os 50% do rendimento, um patamar considerado de stress financeiro elevado.

A leitura territorial revela diferenças marcadas entre regiões. Nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, com um rendimento médio mensal de cerca de 1.935 euros, são necessários em média 22,3 anos de salário para comprar casa, enquanto o arrendamento consome 71,3% do rendimento. No litoral, onde o rendimento médio ronda os 1.636 euros, a compra exige cerca de 18,5 anos de salário e a renda representa 57,8% do rendimento. Já no interior, com rendimento médio mensal de 1.422 euros, a aquisição de habitação requer aproximadamente 9,7 anos de salário, e o arrendamento absorve 45,5% do rendimento, tornando-se relativamente mais acessível em comparação com as restantes regiões.

Entre 2024 e 2025, os preços médios de venda registaram subidas em praticamente todo o país, com destaque para Santarém (+31,7%), que liderou a valorização anual, enquanto nas rendas a maior subida foi observada na Guarda (+28,9%), sinalizando que a pressão não se limita apenas aos grandes centros urbanos.

“Os dados evidenciam um desfasamento crescente entre a evolução dos preços da habitação e os rendimentos médios. A decisão entre comprar ou arrendar tornou-se cada vez mais condicionada pelo território e pelo perfil financeiro de cada família. Em distritos como Lisboa e Faro, os níveis de esforço atingem patamares muito elevados, o que exige uma análise cada vez mais estratégica por parte de quem procura casa”, explica Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

O retrato de 2026 confirma, assim, um mercado marcado por fortes assimetrias regionais e por uma pressão significativa tanto na compra como no arrendamento, reforçando a importância de uma leitura territorial detalhada para compreender as dinâmicas do acesso à habitação em Portugal.