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Frederico Abecassis, CEO da Coldwell Banker Portugal

Frederico Abecassis, CEO da Coldwell Banker Portugal

Costa Vicentina: o próximo ciclo do imobiliário no Algarve pode começar onde menos se esperava

31 de julho de 2026

Durante muitos anos, falar do mercado imobiliário do Algarve significava olhar quase exclusivamente para as zonas mais consolidadas do litoral sul. Foi aí que se concentrou grande parte do investimento, do desenvolvimento turístico e da procura internacional. Mas acredito que estamos a entrar numa nova fase.

O próximo ciclo de valorização do mercado algarvio poderá nascer precisamente onde o território continua mais protegido.

Os dados confirmam a robustez do Algarve. Em 2025, o valor mediano das habitações transacionadas na região atingiu os 3.139 euros por metro quadrado, o segundo mais elevado do país, apenas atrás da Grande Lisboa, segundo o Instituto Nacional de Estatística. O Algarve continua a ser um dos mercados residenciais mais dinâmicos de Portugal e um dos principais destinos para compradores nacionais e internacionais.

No entanto, a Costa Vicentina representa algo diferente. E é precisamente essa diferença que lhe confere valor.

Durante décadas, o mercado procurou construir junto à natureza. Hoje, um número crescente de compradores procura viver na natureza. O conceito de luxo está a mudar. Se antes era frequentemente associado a grandes empreendimentos, marinas ou campos de golfe, hoje passa cada vez mais pela privacidade, pela autenticidade, pela baixa densidade de construção e pela possibilidade de viver num território preservado.

É neste contexto que a Costa Vicentina ganha relevância. O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, com cerca de 90 mil hectares de área terrestre e marítima protegida, constitui um dos maiores ativos da região. As limitações ao desenvolvimento urbanístico podem ser vistas como um desafio, mas representam também um dos principais fatores de valorização futura. Num mercado onde a escassez é cada vez mais determinante, preservar pode ser a melhor estratégia de investimento.

As preferências dos consumidores parecem confirmar esta mudança. Um estudo do IPAM, divulgado em julho, revelou que a costa alentejana se tornou, pela primeira vez, o destino de férias preferido dos portugueses, ultrapassando o Algarve tradicional. Embora a procura turística não se traduza automaticamente em investimento imobiliário, constitui um sinal claro da crescente valorização de destinos menos massificados e mais ligados à natureza.

Esta tendência já se reflete no mercado residencial. Cresce a procura por projetos de reabilitação, habitações integradas na paisagem e imóveis pensados não apenas para férias, mas para residência permanente ou estadias prolongadas. Ao mesmo tempo, assistimos ao aparecimento de um comprador internacional diferente: alguém que procura qualidade de vida, sentido de comunidade e autenticidade, tanto quanto procura um bom investimento.

Foi esta leitura do mercado que levou a Coldwell Banker Portugal a escolher Aljezur para iniciar a sua presença nesta região. Não por acreditar que a Costa Vicentina venha a replicar o modelo das zonas mais consolidadas do Algarve, mas precisamente porque acreditamos que seguirá um caminho próprio.

Esse será, aliás, o maior desafio dos próximos anos. O futuro da Costa Vicentina não passa por construir mais. Passa por construir melhor. Passa por reabilitar, qualificar o património existente e promover um desenvolvimento compatível com a identidade do território.

A história demonstra que os mercados imobiliários mais resilientes são aqueles que conseguem proteger aquilo que os tornou desejáveis. A Costa Vicentina tem hoje essa oportunidade.

Não precisa de se transformar no próximo grande destino imobiliário do Algarve. O seu verdadeiro valor está precisamente em nunca deixar de ser diferente.

Frederico Abecassis

CEO da Coldwell Banker Portugal

*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico