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Procurar casa a 30 minutos das capitais de distrito pode representar poupanças de até 260 mil euros

Alenquer - Foto CMA

Procurar casa a 30 minutos das capitais de distrito pode representar poupanças de até 260 mil euros

18 de junho de 2026

Alargar o raio de procura para os concelhos vizinhos das principais cidades portuguesas pode traduzir-se numa poupança significativa na compra de casa. A conclusão é de uma análise do Imovirtual, que revela que, em várias regiões do país, viver a cerca de 30 minutos das capitais de distrito permite reduzir substancialmente o investimento necessário para adquirir um apartamento, sem abdicar totalmente da proximidade aos principais centros urbanos.

Lisboa destaca-se como o caso mais expressivo. Enquanto o preço médio de um apartamento no mercado primário da capital ascende aos 685 mil euros, nos concelhos localizados a cerca de meia hora de distância o valor médio desce para 425 mil euros, representando uma diferença de 260 mil euros.

Entre as alternativas mais acessíveis encontram-se Alenquer, com um preço médio de 275 mil euros, Sintra, nos 310 mil euros, e a Amadora, nos 319.500 euros.

No Porto, embora a diferença seja menos acentuada, continua a representar uma poupança relevante para os compradores. O preço médio na cidade situa-se nos 425 mil euros, enquanto nos concelhos analisados ronda os 365.900 euros, o que corresponde a uma diferença de 59.100 euros. Felgueiras, Paredes e Gondomar surgem entre as opções mais acessíveis, com preços médios de 265 mil, 270 mil e 298 mil euros, respetivamente.

A tendência estende-se a outras regiões do país. Em Aveiro, a diferença entre a capital de distrito e os municípios vizinhos atinge os 181 mil euros. O preço médio desce dos 460 mil euros para 279 mil euros, destacando-se Murtosa (198 mil euros), Arouca (200 mil euros) e Sever do Vouga (215 mil euros) entre as opções mais económicas.

Já em Viseu regista-se o maior diferencial percentual do país. Enquanto o preço médio na cidade ascende aos 345 mil euros, nos concelhos próximos fixa-se nos 195 mil euros, uma diferença de 150 mil euros ou 43,5%. Sátão e Santa Comba Dão apresentam alguns dos valores mais baixos, com preços médios pouco acima dos 114 mil euros.

Nem todas as periferias são mais baratas

Apesar da lógica tradicional associar maior distância a preços mais reduzidos, a realidade atual é mais complexa. A análise do Imovirtual revela que existem mercados periféricos onde a valorização imobiliária já ultrapassa a das respetivas capitais de distrito.

É o caso de Setúbal, onde os concelhos vizinhos apresentam um preço médio de 360 mil euros, acima dos 336 mil euros registados na cidade. O mesmo acontece em Leiria, onde os municípios da envolvente atingem um valor médio de 330 mil euros, superando os 320 mil euros observados na capital distrital.

Esta inversão é particularmente evidente em localidades como Sesimbra, Almada, Nazaré e Óbidos, onde a proximidade à costa, a qualidade de vida e a forte procura residencial têm impulsionado a valorização dos imóveis.

Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, “os dados revelam que, em muitas regiões do país, é possível encontrar diferenças muito significativas de preço a poucos quilómetros de distância. Para muitas famílias, alargar ligeiramente o raio de procura pode representar poupanças muito relevantes, sem abdicar da proximidade aos principais centros urbanos. Ao mesmo tempo, estes dados mostram que nem todas as periferias são necessariamente mais acessíveis, existindo mercados onde a procura já está a pressionar fortemente os preços”.

Mercado mais racional e compradores mais criteriosos

A análise mostra ainda que alguns dos mercados considerados mais acessíveis estão a atravessar ajustamentos nos preços. Nos concelhos analisados da região de Lisboa, os valores médios recuaram 5,3% face ao ano anterior, enquanto na região do Porto a descida foi de 5%.

Em sentido contrário, distritos como Leiria (+15,8%), Viseu (+14,7%), Faro (+12,4%) e Braga (+10,2%) registaram valorizações acima da média.

No seu conjunto, os dados reflectem uma transformação no comportamento dos compradores, cada vez mais estratégicos nas suas decisões. O factor localização continua a ser determinante, mas a relação entre distância e preço tornou-se mais sofisticada, obrigando as famílias a avaliar cuidadosamente diferentes alternativas dentro das suas limitações financeiras.

A crescente dispersão da procura pelo território evidencia também um mercado mais maduro, onde a acessibilidade deixou de depender exclusivamente da proximidade aos grandes centros urbanos e passou a resultar de uma combinação mais ampla de factores, como mobilidade, qualidade de vida, disponibilidade de oferta e capacidade financeira dos compradores.