
Portugal atrai marcas hoteleiras de luxo internacionais, aponta o Hospitality Investor
Portugal tem-se tornado um destino cada vez mais procurado por operadores hoteleiros internacionais de luxo e lifestyle, segundo um artigo publicado pelo portal especializado Hospitality Investor. O texto destaca a recente abertura do Kimpton Quinta da Marinha, na costa atlântica portuguesa, um hotel com 194 quartos que se junta a uma vaga de grupos internacionais a entrar no segmento de luxo no país.
Novas aberturas
Segundo a publicação, a abertura do Kimpton Quinta da Marinha surge pouco depois da inauguração, em março, do Andaz Lisboa e do Masana Algarve, ambos da Hyatt — o primeiro marcando a estreia da marca lifestyle Andaz em Portugal, e o segundo sendo a primeira unidade da Destination by Hyatt no país. Na altura, a Hyatt afirmou que estas aberturas se inserem nos seus planos para triplicar o número de quartos em Portugal até 2027. O artigo refere ainda a expansão da Nobu para o país, com o Nobu Hotel Lisbon a marcar a estreia da marca em Portugal, além de um segundo projecto previsto para o Monte Rei, no Algarve.
Procura turística e investimento
O artigo enquadra este movimento no crescimento da procura turística e do investimento internacional no país. Citando dados apresentados pela Turismo de Portugal na conferência NYU IHIF, em Junho, a publicação refere que Portugal gerou 29,1 mil milhões de euros em receitas turísticas em 2025, mais 5% do que no ano anterior e 38% acima do nível registado quatro anos antes. O país registou 82,1 milhões de dormidas geradas por 32,5 milhões de hóspedes, enquanto a receita hoteleira cresceu 7,5%, para 6,2 mil milhões de euros.
José Tiago Silva, hospitality partner na Explorer Investments, citado no artigo, afirma que o capital de investimento está a seguir a procura turística, notando que o dinheiro do mercado provém sobretudo da Europa, mas também de investidores financeiros dos Estados Unidos, com o private equity norte-americano a manter-se particularmente empenhado em Lisboa e no Algarve.
Foco no segmento de cinco estrelas
Segundo dados citados no artigo, 79% do investimento hoteleiro em Portugal foi direccionado para hotéis de cinco estrelas, dos quais 39% para o Algarve e 32% para Lisboa. O texto sublinha ainda que Portugal continua relativamente menos penetrado por cadeias internacionais do que outros mercados hoteleiros europeus mais maduros, com as marcas internacionais a representarem cerca de 37% da oferta hoteleira de marca no país — sendo o Pestana Hotel Group e o Vila Galé os dois maiores operadores nacionais em número de quartos.
De acordo com o Portugal Hotel & Chains Report 2026, da consultora Horwath HTL, citado no artigo, a internacionalização do sector continua a acelerar, com a cidade de Lisboa a contabilizar sozinha 32 hotéis e 4.696 quartos em desenvolvimento, seguida da região Norte, com 25 hotéis, e do Algarve, com 22. A Horwath destaca que esta expansão é particularmente evidente no segmento de luxo, impulsionado por operadores internacionais.
O caso da IHG
O artigo dá particular destaque à actividade da IHG Hotels & Resorts, que tem expandido marcas como Kimpton e Hotel Indigo em Portugal. Diego Alvarez, director de desenvolvimento da IHG, citado em declarações à publicação na conferência IHIF EMEA 2025, afirma que o grupo assinou 16 acordos em Portugal no ano anterior, acrescentando que, nos últimos três anos, a IHG abriu oito novos hotéis no país. Segundo Alvarez, o grupo está também a expandir-se para localizações secundárias, como Braga, Évora e Beja, beneficiando do apoio do governo português na promoção destes destinos.
Desafios e oportunidades
O artigo nota que, apesar do forte apetite dos investidores, encontrar produto investível continua a ser um desafio no mercado português. José Tiago Silva sublinha que existe "muita procura, muitos investidores a tentar entrar, mas pouca oferta", sendo a principal dificuldade encontrar e adquirir os activos certos ao preço certo. Segundo o artigo, esta escassez de oferta poderá reforçar o interesse por conversões e reposicionamentos de hotéis existentes, especialmente por parte de operadores de luxo e lifestyle — como exemplifica a expansão da IHG em Cascais, através da conversão de duas propriedades do Grupo Onyria, decisão que, segundo o seu chief commercial officer João Pinto Coelho, foi motivada pela rapidez com que hotéis de luxo já existentes puderam ser convertidos para a marca.






















