
Faro - Foto de Bextrel em Wikimedia
Portugal a várias velocidades: preços das casas vão dos 66 mil aos 666 mil euros
As diferenças de preços da habitação em Portugal tornam-se particularmente expressivas quando a análise é feita ao nível dos concelhos. Em agosto de 2026, Faro apresentava o preço médio de venda mais elevado do país, com 666.125 euros, enquanto no extremo oposto se encontrava o Sátão, com um valor médio de 66.150 euros.
Os dados do Barómetro dos Concelhos do Imovirtual mostram uma diferença de cerca de 600 mil euros entre os dois mercados, com o preço médio de uma casa em Faro a ser praticamente dez vezes superior ao registado no Sátão.
O Algarve destaca-se entre os mercados mais caros. Além de Faro, que ocupa a primeira posição, Lagos (635.000 euros), Lagoa (592.500 euros), Aljezur (585.000 euros) e Olhão (570.000 euros) integram o Top 10 dos concelhos com preços médios de venda mais elevados. No total, metade dos dez concelhos mais caros encontra-se no Algarve.
Óbidos e Mafra ocupam as posições seguintes, ambos com um preço médio de 665.000 euros. Em Óbidos, o valor aumentou 3,9% num ano, enquanto Mafra registou uma subida de 10,8%. Seguem-se Funchal (650.000 euros) e Alcochete (648.000 euros).
Grandes diferenças também nos mercados mais baratos
A evolução dos preços revela igualmente movimentos significativos entre os concelhos mais caros. São Vicente, na Madeira, registou a maior subida anual entre os dez primeiros, de 75%, passando de 340.000 euros em agosto de 2025 para 595.000 euros um ano depois.
Olhão registou uma valorização de 37,8%, enquanto Lagoa cresceu 15% e Faro 13,1%. Mafra apresentou uma subida de 10,8%.
No outro extremo, Sátão é o concelho com o preço médio de venda mais baixo, seguido de Idanha-a-Nova (69.900 euros) e Proença-a-Nova (70.000 euros).
Também nestes mercados a evolução foi bastante diferenciada. Oleiros registou uma subida anual de 50,7%, para 75.250 euros, enquanto Sátão recuou 44,9% e Idanha-a-Nova 12,6%.
"Quando analisamos o mercado ao nível dos concelhos, percebemos até que ponto a localização continua a ser determinante no preço da habitação", afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual. Segundo a responsável, as diferenças entre territórios mostram que "falar de um único mercado imobiliário português pode esconder realidades muito diferentes".
Oeiras lidera no arrendamento
No mercado de arrendamento, as diferenças entre concelhos são igualmente acentuadas. Oeiras apresenta o preço médio mais elevado, com 1.750 euros mensais, seguida de Loulé, com 1.710 euros, e Lisboa, com 1.700 euros.
Faro e Funchal registam ambos uma renda média de 1.600 euros, enquanto Lagos apresenta um valor de 1.531 euros. Seguem-se Câmara de Lobos e Odivelas, com 1.500 euros, Lagoa (1.475 euros) e Tavira (1.467 euros).
No extremo oposto, Penafiel apresenta o preço médio mais baixo entre os concelhos considerados, com 600 euros mensais. O valor é praticamente três vezes inferior ao de Oeiras.
Felgueiras surge depois, com 700 euros, seguida de Santo Tirso (825 euros) e Paredes (850 euros).
Lagoa lidera subida das rendas
Também no arrendamento se verificam fortes alterações anuais. Lagoa registou a maior subida entre os dez concelhos mais caros, de 43,9%, passando de 1.025 euros mensais em agosto de 2025 para 1.475 euros em agosto de 2026.
Tavira aumentou 33,4% e Lagos 13,4%, enquanto Câmara de Lobos registou uma subida de 11,1%. Oeiras manteve o mesmo preço médio de há um ano.
Em sentido contrário, Lisboa apresentou uma descida de 2,9% e Loulé recuou 14,5%.
Entre os mercados com rendas mais baixas, Amarante destacou-se com uma subida anual de 46,2%, enquanto Vila Real de Santo António aumentou 20%. Penafiel, pelo contrário, registou uma descida de 23,1%, passando de 780 para 600 euros mensais.
Os dados do Barómetro dos Concelhos do Imovirtual evidenciam, assim, a forte heterogeneidade do mercado residencial português. Na venda, os preços médios variam entre 66.150 euros no Sátão e 666.125 euros em Faro. No arrendamento, os valores oscilam entre os 600 euros mensais de Penafiel e os 1.750 euros de Oeiras.
A análise à escala municipal revela, desta forma, diferenças que ficam diluídas quando o mercado imobiliário é analisado apenas através de médias nacionais ou regionais.
















