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terça-feira, 20 de outubro de 2020
Opinião
Construção e Imobiliário: Desafios e Oportunidades

Construção e Imobiliário: Desafios e Oportunidades

12 de outubro de 2020

A construção, combinada com atividades relacionadas nas áreas do imobiliário, arquitetura e engenharia, equipamentos e materiais, representa para Portugal mais de 15% do PIB, cerca de 50% do investimento e 10% do emprego. Tendo também um importante impacto noutros setores, esta indústria é reconhecidamente um dos mais importantes drivers da economia portuguesa. De salientar a relação íntima e reciproca entre a construção e o setor financeiro, que estimula ambos através da concessão de créditos para financiar as empresas e a compra de imóveis, chegando a representar mais de 50% do total de crédito concedido por instituições bancárias.

Inversamente, o crescimento da indústria também está muito dependente da evolução do mercado a nivel global. À medida que a economia retrai e os contrangimentos de crédito impactam o investimento, tende a nascer uma nova crise. Este facto ganha particular relevância na medida em que muitas empresas têm uma elevada alavancagem financeira e frequentemente enfrentam problemas de liquidez, por variados motivos como sobrecustos ou atrasos nos pagamentos a receber.

Por outro lado, a indústria da construção é altamente fragmentada - mais de 99% das organizações são PME, que empregam mais de 90% dos trabalhadores. Isto acontece devido a um conjunto de particularidades deste mercado, destacando-se: a variedade de necessidades e exigências; o elevado nível de customização dos produtos e serviços; a falta de economias de escala; as reduzidas barreiras à entrada; e a forte concorrência centrada em estratégias de preço. Por efeito, as empresas, que tendencialmente não têm escala para negociar competitivamente com fornecedores e clientes, evidenciam rentabilidades diminuídas.  

Em acréscimo, existem várias questões ao nível da produtividade, qualidade e segurança. Por tradição a indústria tem um número significativo de trabalhadores de curto prazo e pouco qualificados, e muitas empresas não investem suficientemente em formação. Recentemente, a escassez de mão-de-obra especializada para os trabalhos de construção e o aumento dos custos de construção, sobretudo devido ao incremento dos custos de materiais e de mão-de-obra, reduzindo a rentabilidade do setor, têm sido também desafios maiores a considerar.

O clima político e económico teve um impacto drástico na construção portuguesa entre os anos de 2002 e 2016, em que a indústria sofreu uma perda de produção acumulada superior a 50%. A recuperação do setor iniciou em 2017 com um crescimento que se espera continuar na próxima década, principalmente devido ao investimento público e privado nos setores das infraestruturas e residencial, respetivamente.

Por fim, para responder aos diversos desafios do ambiente construído e para criar uma proposta de valor atrativa no mercado progressivamente globalizado da construção, desbloqueando ainda o seu poder catalisador da economia, a indústria da construção portuguesa requer uma estratégia centrada em torno de três áreas chave, que deverão ser facilitadas por um conjunto de condições:

1) INVESTIMENTO: mais investimento público em infraestruturas como medida fundamental para estímular a economia e, subsequentemente, incentivar o desenvolvimento do setor privado; mais estabilidade política e legal, incentivos fiscais e disponibilidade de crédito, considerando também o financiamento de bancos estrangeiros como alternativa aos bancos locais; menos burocracia e mais capacidade administrativa nos municípios, permitindo menos tempo dispendido na obtenção de licenças de construção e de utilização.

2) INTERNACIONALIZAÇÃO: mais apoios governamentais de incentivo à expansão das empresas portuguesas para novos mercados, além dos tradicionalmente conhecidos em África e América do Sul/Central, incluindo a facilitação de sinergias e parcerias estratégicas entre organizações ao nível nacional e internacional.

3) INOVAÇÃO: maior diversificação da atividade das empresas como medida de redução do risco do negócio; mais investigação e desenvolvimento sobre novos materiais e tecnologias da construção e maior aposta na indústria 4.0 e na economia circular, promovendo assim mais eficiência, eficácia e sustentabilidade no ciclo de vida dos ativos.

Posto isto, estará o contexto político, social e económico de Portugal preparado para reconhecer e avançar com estas medidas, nomeadamente com uma abordagem Top-Down em que a ação governamental assume a liderança de forma articulada e sustentada?

Bruno de Carvalho Matos

MRICS, Eng Civil Sénior MSc PMP e MBA pela Católica | Nova

*Texto escrito com novo Acordo Ortográfico

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