
Manhattan bate recorde de rendas a 5.100 dólares mensais. E em Lisboa?
O mercado de arrendamento de Manhattan acaba de atingir um novo máximo histórico. Em Abril, a renda mediana no principal bairro de Nova Iorque ultrapassou os 5.099 dólares mensais (cerca de 4.500 euros), uma subida de 6% em apenas um ano, impulsionada por uma procura crescente e uma oferta em contracção — o equivalente a quase cinco vezes o custo mediano por metro quadrado praticado em Lisboa, que se situa atualmente nos 22 euros/m².
Os números de Nova Iorque são vertiginosos: um T2 custa em média 5.228 dólares e um T3 ultrapassa os 8.300 dólares mensais. A taxa de desocupação caiu para 1,55%, o nível mais baixo em seis anos, e o número de novos anúncios recuou 25% face a abril de 2025.
Lisboa está longe destes valores — mas a pressão sobre o arrendamento é real e crescente. Em 2026, o metro quadrado de arrendamento na capital portuguesa atingiu os 21,7 euros, o que significa que um apartamento de 70 m² dificilmente fica abaixo dos 1.500 euros mensais. Nos bairros centrais, um T2 oscila entre os 1.400 e os 2.000 euros por mês, subindo nas zonas mais procuradas como Avenidas Novas, Estrela ou Lapa.
Ainda assim, Lisboa mantém uma diferença significativa face às grandes capitais europeias. Paris, por exemplo, pratica uma renda mediana de cerca de 1.250 euros mensais para apartamentos de 46 m², o que coloca a capital portuguesa num patamar ligeiramente acima mas ainda comparável ao mercado francês. Manhattan fica num universo à parte: as suas rendas superam em quase quatro vezes as de Paris e em mais de três vezes as de Lisboa.
Em resumo: Manhattan é cerca de 3x Lisboa e 4x Paris. Lisboa e Paris são comparáveis, sendo Paris ligeiramente mais barata — mas com apartamentos medianos menores.
Vale notar que estas comparações têm limitações: os apartamentos "medianos" em cada cidade têm dimensões e localizações muito diferentes, o que torna a comparação imperfeita. O preço por metro quadrado é um indicador mais rigoroso — e aí Paris (26,6€/m²) supera Lisboa (21,7€/m² em zonas centrais ou premium da capital. Os números oficiais medianos disponíveis estão já desfazados da realidade apontando ainda para 16€/m2...).
Escassez tremenda de oferta...
Em Portugal, o crescimento das rendas abrandou para 0,9% em dezembro de 2025, num sinal de moderação do mercado — embora Lisboa continue entre as cidades mais caras do país. O contexto político em Nova Iorque aponta para possíveis travões ao mercado: o novo presidente da câmara, Zohran Mamdani, prometeu durante a campanha um congelamento das rendas reguladas, que abrangem parte significativa do parque habitacional da cidade.
Em Lisboa, o debate não é muito diferente. A escassez de oferta, a pressão turística e o aumento dos custos de construção continuam a empurrar os preços — tornando o acesso à habitação um dos maiores desafios da cidade para os próximos anos.
















