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Licenciamento de habitação continua a travar resposta à procura
O sector da construção mantém sinais de recuperação em Portugal, impulsionado pelo aumento do consumo de cimento e pelo dinamismo do crédito à habitação. No entanto, o ritmo de licenciamento de novos projectos continua abaixo dos níveis registados em 2025, revelando que a resposta da oferta habitacional permanece insuficiente para acompanhar a procura.
Segundo a mais recente Síntese Estatística da Habitação da AICCOPN, até Abril de 2026 o consumo de cimento aumentou 6,3% em termos homólogos, totalizando 1,344 milhões de toneladas, um indicador que confirma a aceleração da actividade no sector.
Em contrapartida, o licenciamento de construção e reabilitação habitacional continua em terreno negativo. Nos primeiros quatro meses do ano foram aprovados 6.586 projectos, menos 7% do que no período homólogo de 2025. Já o número de novos fogos licenciados atingiu 14.099, reflectindo uma quebra de 1%, apesar dos sinais de recuperação registados em Março e Abril.
O financiamento à habitação mantém, por outro lado, uma trajectória de forte crescimento. O montante de novo crédito à habitação, excluindo renegociações, ascendeu a 7.778 milhões de euros entre Janeiro e Abril, representando um aumento homólogo de 11,9%. Esta evolução ocorreu num contexto de estabilização das taxas de juro, que se mantiveram próximas dos 3,1%, contribuindo para sustentar a procura por financiamento imobiliário.
Também a avaliação bancária dos imóveis continua a evidenciar uma valorização expressiva. Em Abril, o valor médio atingiu os 2.174 euros por metro quadrado, mantendo uma taxa de crescimento homóloga de 16,5%. Os apartamentos continuam a liderar esta evolução, com uma valorização de 21%, enquanto as moradias registaram um aumento de 12,7%.
Na Região Autónoma da Madeira, os indicadores revelam um comportamento distinto. Nos 12 meses terminados em abril foram licenciados 995 novos fogos, menos 20% do que no período homólogo anterior, quando tinham sido aprovados 1.245 alojamentos. A distribuição das tipologias mostra que 39% correspondem a habitações T2, 36% a T3, 21% a T0 e T1 e apenas 4% a T4 ou superiores.
Os dados da AICCOPN evidenciam, assim, um mercado habitacional marcado por sinais contraditórios. Enquanto a actividade da construção e o acesso ao financiamento continuam a recuperar, a criação de nova oferta habitacional permanece limitada, num contexto em que o número de fogos licenciados ainda não acompanha o dinamismo da procura e das necessidades do mercado.















