
Mário Feliciano, Diretor Geral ERA EXPO/Portela e ERA EXPO/Olivais
O imobiliário tornou-se mais profissional, mas a habitação continua a ser o grande desafio
Empresa celebra um quarto de século marcado pela profissionalização do sector, pela revolução tecnológica e por sucessivas crises económicas. Mário Feliciano, director-geral da ERA Expo/Portela e ERA Expo/Olivais, acredita que o mercado é hoje mais resiliente, mas alerta para a urgência de aumentar a oferta de habitação.
Há 25 anos, quando a ERA Expo abriu portas, o mercado imobiliário português era pouco estruturado, fortemente local e distante da realidade actual. Hoje, a mediação imobiliária é uma actividade altamente profissionalizada, tecnológica e global, acompanhando clientes cada vez mais informados e exigentes.
Ao assinalar o seu 25.º aniversário, a ERA Expo faz um balanço da evolução do sector e dos desafios que marcaram estas duas décadas e meia, desde as crises económicas à entrada massiva de investimento estrangeiro, passando pela transformação digital e pela actual crise da habitação.
Para Mário Feliciano, director-geral da ERA Expo/Portela e ERA Expo/Olivais, a história da empresa acompanha, em muitos aspectos, a própria evolução do mercado imobiliário nacional.
"Ao longo destes 25 anos, o percurso da ERA Expo regista um crescimento sustentado, forte cultura de equipa e uma elevada capacidade de formar e reter talento, um fator altamente diferenciador no setor. Foram 25 anos de grande crescimento pessoal e profissional, com aprendizagem constante, muitos desafios e a consolidação de inúmeras parcerias de sucesso".
O responsável destaca ainda um dos momentos mais simbólicos deste percurso: a conquista, durante três anos consecutivos, dos três primeiros lugares do ranking nacional da ERA Portugal pelas agências da ERA Expo.
"Tem sido um percurso repleto de sucessos, culminando no nosso 'TRI-TOP 3', um feito único na rede ERA Portugal".
Um mercado mais profissional e global
Em apenas duas décadas e meia, o sector imobiliário transformou-se profundamente. O mercado deixou de ser essencialmente local para passar a estar fortemente ligado aos movimentos internacionais e aos dados.
Segundo Mário Feliciano, "o mercado nacional passou de pouco estruturado e local para altamente profissional, cada vez mais globalizado e orientado por dados", tornando-se "mais transparente, regulado e altamente competitivo".
Também o perfil dos compradores mudou significativamente.
"Os clientes atuais têm mais acesso à informação e são mais exigentes. Valorizam fatores como a qualidade de vida, a localização, a área envolvente e a eficiência energética. Os compradores conhecem melhor a sua capacidade financeira e tomam decisões mais fundamentadas".
Ao mesmo tempo, reforçou-se o peso do investimento estrangeiro, que hoje assume um papel determinante em mercados como Lisboa, Porto e Algarve.
"Assistimos a um aumento exponencial de clientes internacionais, de origens muito diversificadas, que procuram oportunidades em várias regiões do país".
Tecnologia revolucionou a mediação imobiliária
Se existe uma mudança que marcou definitivamente o sector, foi a digitalização.
O desenvolvimento de plataformas tecnológicas, sistemas de gestão de clientes, marketing digital, visitas virtuais e ferramentas de análise transformou profundamente a atividade dos consultores.
"Tiveram um papel determinante", afirma Mário Feliciano, destacando que as plataformas de CRM, os portais imobiliários e o marketing digital vieram permitir "uma gestão da informação cada vez mais rigorosa e eficiente", ao mesmo tempo que obrigaram os profissionais a responder a clientes "cada vez mais informados e exigentes".
Apesar da crescente digitalização, considera que existe um factor que continua insubstituível.
"A mediação imobiliária tornou-se mais exigente, deixou de ser transaccional para ser cada vez mais consultiva e estratégica. Ainda assim, o essencial continua a ser o factor humano, a capacidade de criar relações e desenvolver parcerias".
Da crise financeira à pandemia: 25 anos de adaptação
Ao longo deste percurso, o sector enfrentou alguns dos períodos mais difíceis da economia mundial.
Os atentados de 11 de setembro, a crise financeira entre 2008 e 2013, o boom imobiliário impulsionado pelo investimento internacional após 2015, a pandemia, a inflação e a subida das taxas de juro obrigaram empresas e profissionais a reinventarem-se sucessivamente.
Segundo Mário Feliciano, a capacidade de adaptação da ERA assentou em três pilares essenciais.
"A forte cultura e o ADN da empresa, suportados por um método de trabalho sólido, pela formação constante e pela aposta na tecnologia, permitiram-nos ajustar rapidamente os processos comerciais para responder às necessidades do mercado e dos clientes".
Na sua perspectiva, todas estas transformações contribuíram para tornar o mercado mais preparado.
"Hoje o mercado é mais resiliente. Existe maior regulação, maior transparência, profissionais mais qualificados, financiamento mais estruturado e uma internacionalização que tornou o sector mais sólido e menos vulnerável às oscilações".
Habitação continua a ser o maior problema
Apesar da maturidade alcançada pelo sector, o director-geral da ERA Expo considera que o maior desafio permanece praticamente o mesmo: garantir o acesso à habitação.
"A habitação é um enorme desafio para todos devido ao desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura, agravado pela falta de nova construção, pelos elevados custos de construção, pelas dificuldades de licenciamento e pela pressão urbana e turística nas grandes cidades".
Na sua opinião, apenas uma resposta coordenada permitirá inverter a situação.
"Só um esforço integrado e inteligente permitirá encontrar soluções que respondam às necessidades da população".
O impacto faz-se sentir sobretudo junto da classe média e dos jovens compradores.
"O mercado tornou-se menos acessível para as famílias, em particular para a classe média e para os jovens, devido à escassez da oferta e à consequente subida dos preços".
Entre as medidas prioritárias, Mário Feliciano defende incentivos à construção nova, simplificação dos processos de licenciamento, reforço dos apoios à compra da primeira habitação, promoção do arrendamento acessível e mecanismos que coloquem no mercado os imóveis devolutos.
O futuro será mais tecnológico, mas continuará a depender das pessoas
Olhando para a próxima década, o responsável antecipa um setor ainda mais digitalizado, sustentável e regulado.
É expectável, afirma, uma maior estabilização dos preços, crescimento do mercado de arrendamento, reforço das preocupações ambientais e uma integração tecnológica praticamente total na atividade imobiliária.
Ainda assim, deixa uma convicção.
"Daqui a dez anos teremos um sector muito mais digital, transparente e orientado para o cliente, com consultores cada vez mais especializados e processos quase totalmente desmaterializados. Mas continuará a ser um negócio de pessoas para pessoas, assente na empatia, autenticidade e relações humanas".
Quanto ao papel da ERA neste novo ciclo, Mário Feliciano garante que a estratégia passa por continuar a liderar a profissionalização do sector.
"O investimento contínuo em tecnologia, formação e desenvolvimento de talento continuará a ser uma prioridade estratégica, reforçando o posicionamento da ERA enquanto verdadeira escola do imobiliário e referência de excelência no mercado".

















