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Investimento em imobiliário comercial de rendimento cresce 22% e atinge 2,82 MM€ em 2025
O investimento em imobiliário comercial de rendimento em Portugal encerrou 2025 com um volume total de 2,82 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 22% face a 2024, consolidando a recuperação do mercado iniciada no ano anterior – refere a consultora CBRE em comunicado.
Ao longo do ano foram concretizadas 85 transacções, acima do registado em 2024, com um ticket médio por operação de cerca de 32 milhões de euros. Tal como no ano anterior, realizaram-se quatro operações de valor superior a 100 milhões de euros, sinalizando o regresso de negócios de maior dimensão.
A CBRE manteve a liderança no mercado nacional - refere o comunicado, tendo assessorado mais de 50% do volume total investido, com participação em mais de 30 transacções de imobiliário comercial de rendimento.
Retalho e escritórios lideram investimento
O retalho voltou a ser o sector mais transacionado, concentrando 33% do volume total investido, seguido pelos escritórios, que surpreenderam ao ocupar o segundo lugar, com 25% do investimento. Em conjunto, estes dois segmentos representaram 57% do total transaccionado, num montante de 1.617 milhões de euros.
A hotelaria absorveu 15% do investimento, enquanto o segmento living, com destaque para as residências de estudantes, representou cerca de 14%. Os sectores logístico e alternativos completaram o ranking, com 10% e 3%, respectivamente.
Regresso do interessepor escritórios e logística
O investimento em escritórios duplicou face a 2024, reflectindo o interesse por activos de qualidade com uma relação risco-retorno atractiva e sinais de compressão de yields. Também a logística registou um crescimento expressivo, com um volume de investimento três vezes superior ao do ano anterior, tendência que deverá prolongar-se em 2026.
De forma geral adianta ainda o comunicado da CBRE, as yields mantiveram-se estáveis, embora segmentos como escritórios, centros comerciais, supermercados, hipermercados e student housing tenham registado uma compressão média de cerca de 25 pontos base.
Capital nacional ganha peso
Os investidores nacionais assumiram um papel mais relevante em 2025, sendo responsáveis por cerca de 33% do volume total investido, o valor mais elevado dos últimos anos. Fundos como CA Património Crescente, Valor Prime, Property Core e Imofomento destacaram-se pelo seu papel activo, substituindo progressivamente capital internacional. Também os family offices reforçaram a sua presença, encarando o imobiliário comercial como instrumento de preservação de capital e diversificação de portefólio.
Segundo Igor Borrego, responsável de Capital Markets da CBRE Portugal, “existem várias operações que transitaram para 2026, perspectivando-se um início de ano muito positivo, nomeadamente nos segmentos de logística, retalho e hotelaria”.
Lisboa e Porto concentram investimento
Do ponto de vista geográfico, Lisboa e Porto concentraram 78% do investimento total, reflectindo a atratividade e liquidez destes mercados. Entre as três maiores transacções do ano destacam-se a venda de 50% do Norteshopping, a aquisição das residências de estudantes Livensa Living e a venda do hotel Cascais Miragem, que, em conjunto, representaram cerca de 30% do volume total investido.
Perspectivas positivas para 2026
A CBRE antecipa um cenário optimista para 2026, com várias transacções relevantes em curso e algumas já em fases avançadas de due diligence. O sector hoteleiro poderá assumir um papel de destaque, caso se concretize a eventual venda do fundo Discovery.
Ao nível da ocupação, o mercado mantém-se sólido. Em 2025, a absorção de escritórios ultrapassou os 200.000 m², ligeiramente abaixo do máximo histórico de 2024, enquanto as rendas prime continuaram a subir, atingindo 30 €/m²/mês em Lisboa e 21 €/m²/mês no Porto.
No logístico, a ocupação aproximou-se dos 400.000 m², com rendas prime estáveis nas principais zonas. Já no High Street Retail, as rendas atingiram máximos históricos, apesar de uma ligeira desaceleração no número de novas aberturas de lojas.














