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Investimento comercial supera 1,4 mil milhões de euros no 1.º semestre, aponta WORX
O investimento em imobiliário comercial em Portugal ultrapassou os 1.410 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 14% do que no período homólogo, segundo o WMarket Mid-year 2026, publicação bianual da WORX Real Estate Consultants. O estudo aponta um mercado mais selectivo, com diferentes ritmos de evolução entre os vários segmentos: retalho e hotelaria destacam-se pela evolução positiva, enquanto o residencial regista pressão sobre os preços e os escritórios enfrentam um arrefecimento da actividade.
Investimento e yields
Entre as operações de relevo do semestre, destacam-se a compra do Gaia Shopping e do Arrábida Shopping pela Sonae Sierra, por 180 milhões de euros, e a venda de 72% do Corinthia Lisboa à Orion Capital Managers, por um valor a rondar os 150 milhões de euros. As yields prime mantiveram-se estáveis na generalidade das classes de activos, com o retalho a registar compressões entre 15 e 25 pontos base, reflectindo a maior resiliência do sector.
Escritórios
O mercado de escritórios em Lisboa registou um decréscimo de 20% na actividade ocupacional no primeiro semestre, com 66.900 m² colocados. Segundo a WORX, este arrefecimento reflecte o aumento sustentado das rendas num contexto de escassez de disponibilidade, associado à volatilidade e ao risco dos mercados internacionais face às tensões no Leste e no Médio Oriente, que têm levado ao adiamento de decisões de fecho de negócios. Os níveis de absorção para 2026 estimam-se, à data, em torno dos 150.000 m².
Apesar do abrandamento, as rendas prime subiram em todas as zonas, à excepção das Zonas Emergentes - eixo entre a 2.ª Circular e o Campo Grande, incluindo também a área de Praça de Espanha/José Malhoa -, com valorizações homólogas entre 2% e 20%. A renda prime no Prime CBD atinge actualmente os 33,0 €/m²/mês, um nível que a consultora considera sustentável face aos novos padrões de qualidade e certificação de sustentabilidade e bem-estar exigidos pelo mercado.
Retalho
O retalho apresenta uma das dinâmicas mais resilientes do mercado, com as vendas a crescerem 3% em termos homólogos e as vendas online a avançarem 6% no semestre – refere o estudo. As rendas prime já ultrapassaram os níveis pré-pandemia, atingindo 145 €/m²/mês no comércio de rua em Lisboa, 115 €/m²/mês nos centros comerciais e 13,5 €/m²/mês nos retail parks. Segundo a WORX, o capital continua a regressar tanto a activos tradicionais como a formatos alternativos capazes de combinar experiência, conveniência e multiplicidade de funções.
Industrial e Logística
O sector absorveu mais de 199.200 m² até Junho – refere a WORX -, apenas 1% abaixo do período homólogo, mantendo uma evolução estável apesar do contexto internacional marcado pela reconfiguração do comércio mundial, pelo aumento dos custos de matérias-primas e energia, e pela disrupção das cadeias de abastecimento. As rendas prime mantiveram uma tendência positiva, situando-se em 5,65 €/m²/mês no eixo Castanheira–Azambuja e em 7,00 €/m²/mês em Lisboa. A consultora aponta o nearshoring (transferência ou instalação de actividades de uma empresa num país próximo do seu mercado principal...), a diversificação de fornecedores e a necessidade de maiores níveis de stock como factores que deverão continuar a favorecer a procura por instalações logísticas modernas e bem localizadas.
Hotelaria
A hotelaria continua a beneficiar da resiliência da procura turística. As dormidas nos alojamentos turísticos atingiram 36,8 milhões no primeiro semestre, mais 1% do que no período homólogo, com a taxa de ocupação a manter-se praticamente em linha com o ano anterior, numa média de 54,0%. O rendimento médio por quarto (RevPAR) atingiu 62,8 euros e o preço médio por quarto (ADR) situou-se em 116,2 euros, correspondendo a aumentos de 3% e 7%, respectivamente. A WORX prevê que a hotelaria continue a ser uma das classes de activos mais atractivas em Portugal em 2026.
Residencial
Nos mercados residenciais de Lisboa e Porto, a procura continua a superar a oferta. Em Lisboa foram vendidos 3.890 apartamentos no primeiro semestre, a um valor médio de 5.850 €/m², mais 16% do que no período homólogo. No Porto, foram transaccionados 2.310 apartamentos, a 4.180 €/m², mais 13%. Segundo a consultora, a resposta estrutural ao défice habitacional passará pela industrialização da construção, com destaque para a construção modular, que deverá assumir um papel relevante na transformação do sector nos próximos anos.


















