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IA deverá impulsionar crescimento económico e procura por imobiliário na região EMEA, aponta estudo
A Inteligência Artificial (IA) deverá ter um impacto líquido positivo no crescimento económico e na procura por imobiliário comercial na Europa, Médio Oriente e África (EMEA) ao longo da próxima década, segundo um estudo da consultora Cushman & Wakefield. O relatório, intitulado "AI Impact on Commercial Real Estate: The next 10 years", ressalva no entanto que os efeitos deverão variar significativamente consoante o sector, a localização e a qualidade dos activos.
Dominic Brown, Head of International Research, APAC & EMEA da Cushman & Wakefield, contesta a ideia de que a IA reduzirá a necessidade de espaço físico, defendendo que a tecnologia tende antes a expandir a actividade económica, gerando maior procura por imobiliário em diversos sectores.
Quatro cenários possíveis
O estudo modela quatro cenários distintos para a adoção da IA, a produtividade e o mercado de trabalho. No cenário base, ao qual atribui 50% de probabilidade, uma adoção gradual da tecnologia sustenta ganhos moderados de produtividade e uma expansão económica estável, com a procura imobiliária a manter-se resiliente apesar de alguma desaceleração pontual em determinados sectores.
Um segundo cenário, de "expansão impulsionada pela produtividade" (15% de probabilidade), prevê uma adoção rápida da IA, com forte crescimento económico e criação de emprego, suportando a subida de rendas e a valorização de activos. Em sentido inverso, um cenário de "desilusão com a IA" (25% de probabilidade) aponta para uma adoção aquém das expectativas, contribuindo para uma desaceleração cíclica e enfraquecimento da procura no curto prazo, com aumento de taxas de desocupação e pressão sobre as rendas. O estudo inclui ainda um cenário de "substituição" (5% de probabilidade), em que a IA substitui trabalho humano além do esperado, gerando desemprego mais elevado e pressão negativa prolongada sobre rendas e valores dos activos.
Crescimento económico e emprego no cenário base
No cenário considerado mais provável, a Cushman & Wakefield prevê que o crescimento económico da região EMEA recupere dos níveis reduzidos dos últimos anos, atingindo uma média de cerca de 1,5% ao ano, com a inflação estabilizada perto dos 2%, apoiada pelos ganhos de produtividade associados à IA. Segundo a consultora, estes ganhos resultam sobretudo do reforço de funções já existentes, com impacto moderado na substituição de postos de trabalho, e os salários reais deverão crescer sem pressionar significativamente a inflação.
O estudo indica ainda que o emprego na região deverá aumentar numa primeira fase do cenário base, impulsionado pela criação de novas empresas e postos de trabalho, abrandando posteriormente devido a limitações demográficas e à reestruturação sectorial.
Impacto por sector imobiliário
Segundo a consultora, a IA deverá ter um efeito positivo na procura por imobiliário comercial, em vez de substituir a necessidade de espaço físico, com o aumento da produção económica e a criação de empresas a traduzir-se numa procura crescente por ocupação. No cenário base, os retornos do imobiliário core deverão estabilizar em torno dos 10%.
No segmento de escritórios, o estudo aponta para uma transformação dos mercados na região EMEA, sem contração significativa: os ganhos de eficiência da IA poderão reduzir a procura por funções mais rotineiras, mas este efeito deverá ser em grande parte compensado pela criação de emprego e pela expansão económica, com a procura a concentrar-se cada vez mais em edifícios de maior qualidade e localizações estratégicas.
A logística e a área industrial deverão ser dos principais beneficiários da adoção da IA, impulsionados pela automação, pelo crescimento do comércio electrónico e pela maior complexidade das cadeias de abastecimento; no cenário base, a consultora prevê uma absorção líquida de espaços prime de 110 milhões de m² até 2035. Os centros de dados são identificados como infraestrutura crítica neste contexto, com a disponibilidade de energia apontada como um dos principais factores condicionantes da oferta e das decisões de investimento.
Quanto ao retalho, o estudo prevê um mercado mais polarizado: os segmentos de gama alta e baixa deverão ter melhor desempenho, enquanto o retalho de gama intermédia enfrentará desafios estruturais, reflectindo uma maior segmentação dos comportamentos de consumo.
A Cushman & Wakefield alerta para riscos em baixa, nomeadamente ganhos de produtividade inferiores ao esperado ou perturbações mais acentuadas no mercado de trabalho, que poderiam resultar em maiores taxas de desocupação e pressão descendente sobre as rendas.
Ana Gomes, Partner e Head of Research & Insight da Cushman & Wakefield em Portugal, sublinha que, apesar de perspectivas favoráveis para o mercado imobiliário português, a amplitude de resultados possíveis permanece significativa, considerando que compreender os diferentes cenários será determinante para investidores e ocupantes tomarem decisões estratégicas.


















