
CCB, visto do Padrão dos Descobrimentos. Foto Wikipedia
“Habitar Portugal" reúne 100 obras de arquitectura de 50 anos de democracia no CCB
A exposição “Habitar Portugal 1974–2024”, com uma selecção de 100 projectos de arquitectura dentro e fora de Portugal ao longo de 50 anos de democracia, é inaugurada em 11 de Fevereiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Comissariada pelos arquitectos Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão, esta edição especial da iniciativa da Ordem dos Arquitectos em parceria com o centro de arquitectura do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB) estará patente ao público até 26 de Abril, segundo a organização.
Em evidência, nesta selecção, estarão obras como o Bairro 11 de Março, em Olhão, de José Maria Lopes da Costa, a Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães, de Fernando Távora, a Casa das Mudas, na Madeira, de Paulo David, ou a Embaixada de Portugal em Brasília, de Raúl Chorão Ramalho.
Lançada em 2003, a exposição "Habitar Portugal" visa divulgar a arquitectura contemporânea produzida por arquitectos portugueses em Portugal e no estrangeiro procurando destacar a abrangência territorial, diversidade de autores e representatividade das obras “seleccionadas como um referencial da qualidade da arquitectura portuguesa e do seu contributo para o desenvolvimento económico e social do país”, assinala a organização.
Para a sétima edição, dedicada ao período entre 1974 e 2024, a Ordem dos Arquitectos desafiou uma equipa curatorial com experiências profissionais e geográficas distintas para assinalar meio século de arquitectura portuguesa em democracia, "num contexto marcado por profundas transformações políticas, sociais, económicas e territoriais", justifica a entidade.
Para além da apresentação das obras, a exposição propõe uma leitura alargada da arquitectura produzida desde o último quartel do século XX até à actualidade, integrando diferentes escalas, programas e contextos e convidando o público a reflectir sobre o significado contemporâneo de habitar em Portugal.
O objectivo é sensibilizar para o "reconhecimento da arquitectura como veículo cultural e político, cívico e determinante na construção de um futuro mais consciente do território e dos seus recursos".
A mostra está dividida em três eixos temáticos: o primeiro, "Arquitetura como gesto político", reúne obras que evidenciam o papel da arquitectura como instrumento de transformação social, desde a habitação social à infraestrutura urbana, dando como exemplos o Conjunto Habitacional Pantera Cor de Rosa, em Lisboa, de Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita, a Câmara Municipal de Matosinhos, de Alcino Soutinho, a Assembleia Regional dos Açores, de Manuel Correia Fernandes, exemplos da dimensão social, institucional e simbólica da arquitectura produzida após 1974.
No segundo eixo - "A persistência da memória" - é valorizada a intervenção no património edificado, destacando projectos que dialogam com a história e a memória colectiva, através de novas funções e soluções arquitectónicas, em projectos como o Convento de São Francisco, em Vila Franca do Campo, São Miguel, de Teresa Nunes da Ponte, a reabilitação do Mercado do Bolhão, no Porto, por Nuno Valentim, o Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, nos Açores, por Menos é Mais e João Mendes Ribeiro.
O terceiro eixo, intitulado "Ruturas e Novas Configurações", apresenta obras que exploram novas linguagens, tecnologias e programas, antecipando novos modos de habitar, com especial atenção à sustentabilidade, à inovação e às transformações sociais e culturais contemporâneas, descreve a Ordem dos Arquitectos.
Este terceiro eixo reúne obras como o Hotel Dom Henrique, no Porto, de José Carlos Loureiro com Luís Pádua Ramos, o Museu do Côa, de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, ou o Centro de Interpretação do Românico, em Lousada, dos Spaceworkers, projectos que “evidenciam novas linguagens, abordagens tecnológicas e formas contemporâneas de habitar”.
Entre outros projectos em destaque na selecção fora de Portugal estão a Marginal da Baía de Luanda, em Angola, de Alexandre Costa Lopes, Cinco Jardins de Infância, na Guiné-Bissau, do Colectivo Mel, e o Desert X Al Ula Visitor Centre, na Arábia Saudita, de Ricardo Gomes, KWY.studio.
A Ordem dos Arquitectos ressalva que a exposição "não pretende ser exaustiva", mas sobretudo "desafiar o visitante a olhar para além do passado, questionando os desafios do presente e antecipando o futuro".
Lusa/DI















