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Habitação mantém dinâmica positiva: fogos licenciados crescem 4,5% até julho
O setor da construção e da habitação manteve uma evolução positiva no início do segundo semestre de 2026. Até ao final de julho, o consumo de cimento atingiu 2,505 milhões de toneladas, registando um crescimento homólogo de 6%, prolongando a tendência de crescimento observada nos meses anteriores.
Os indicadores acumulados dos primeiros sete meses do ano revelam, contudo, comportamentos distintos no licenciamento habitacional. Enquanto o número de projetos licenciados diminuiu, o número de fogos autorizados registou um crescimento, segundo os dados disponibilizados pela Síntese Estatística da Habitação, da AICOOPN.
Entre janeiro e julho foram licenciados 11.441 projetos habitacionais, menos 7,7% face ao mesmo período de 2025. Em sentido contrário, o número de fogos licenciados aumentou 4,5%, atingindo 25.854 habitações.
Os dados apontam, assim, para uma redução do número de projetos acompanhada por um aumento da dimensão média dos empreendimentos licenciados.
Crédito à habitação cresce 11,3%
A evolução positiva estendeu-se ao mercado de crédito à habitação. Até ao final de julho, o montante de novo crédito concedido, excluindo renegociações, atingiu 14.509 milhões de euros.
O valor representa um crescimento homólogo de 11,3%, refletindo a manutenção de uma dinâmica significativa no financiamento à aquisição de habitação.
A evolução do crédito acompanha outros indicadores que mostram uma valorização do mercado residencial, apesar das dificuldades que continuam a marcar o acesso à habitação.
Avaliação bancária sobe 15,2%
Também a avaliação bancária das habitações registou uma valorização expressiva em julho. O valor mediano aumentou 15,2% face ao mesmo mês do ano anterior.
Por tipologia, foram os apartamentos que registaram a maior valorização. O valor mediano das avaliações deste tipo de imóvel cresceu 16,5%, enquanto nas moradias o aumento foi de 13,6%.
A evolução confirma a pressão que continua a verificar-se sobre os valores dos imóveis residenciais, num contexto de procura elevada e de aumento do número de fogos licenciados.
Área Metropolitana de Lisboa com mais fogos licenciados
Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), a evolução do licenciamento habitacional apresenta igualmente sinais positivos.
Nos 12 meses terminados em julho de 2026, foram licenciados 5.727 fogos em construções novas, mais 6% do que os 5.394 alojamentos licenciados no período homólogo.
A distribuição por tipologia revela uma maior concentração nos apartamentos de dimensão intermédia. Do total de fogos licenciados, 35% correspondem a T2 e 32% a T3.
As tipologias mais pequenas, T0 e T1, representam 17% dos fogos licenciados, enquanto as habitações de quatro ou mais quartos correspondem a 16%.
Habitação mantém dinâmica de crescimento
Os indicadores disponíveis até julho mostram um mercado residencial com sinais distintos, mas globalmente marcado por uma evolução positiva em várias áreas.
O consumo de cimento continua a crescer, o número de fogos licenciados aumenta, o crédito à habitação mantém uma forte dinâmica e as avaliações bancárias registam uma valorização significativa.
Ao mesmo tempo, a redução do número de projetos habitacionais licenciados revela que a evolução da oferta não é linear e que o aumento do número de fogos poderá estar associado a projetos de maior dimensão.
Na Área Metropolitana de Lisboa, o crescimento de 6% no número de fogos licenciados em construções novas representa um sinal de reforço da oferta potencial numa região onde a procura habitacional continua elevada.
Os dados de julho deixam, assim, um retrato de um setor da construção e do imobiliário que mantém uma trajetória de crescimento, embora continue condicionado pela evolução dos preços, pela capacidade de produção de nova habitação e pelas condições de acesso ao financiamento.















