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Guerra no Médio Oriente abranda mercado imobiliário, mas Golfo mantém a atracção

Dubai. Um dos emirados com maior mercado imobiliario de luxo, mas também um dos mais atingidos pela guerra...DR

Guerra no Médio Oriente abranda mercado imobiliário, mas Golfo mantém a atracção

1 de abril de 2026

O agravamento das tensões no Médio Oriente desde Outubro de 2023 está a introduzir novos sinais de moderação no mercado imobiliário internacional, num cenário marcado por contrastes entre países do Golfo. Enquanto alguns mercados corrigem após anos de forte valorização, outros mantêm-se como destino preferencial de investimento, ainda que com menor dinamismo.

O dilema com que se confrontam os investidores oscila entre a prudência, que aconselha a parar toda e qualquer aquisição imobiliária, e o sendio de risco e oportunidade que alguns activos premium apresentam já quebras de preços significativas depois do eclodir da guerra..

No Dubai, um dos principais polos globais de investimento imobiliário, começam a surgir sinais de abrandamento após um ciclo de crescimento acelerado. Entre 2022 e o início de 2025, os preços subiram cerca de 60%, impulsionados pela entrada de capital internacional em busca de estabilidade fora das zonas de conflito.

Apesar deste histórico recente, o mercado dá agora sinais de transição: as transacções desaceleram, alguns activos — sobretudo no segmento de luxo — registam descontos, e os investidores adoptam uma postura mais cautelosa. Ainda assim, o emirado continua a beneficiar do seu estatuto de “porto seguro”, à semelhança de Abu Dhabi, que registou em 2024 um aumento de 52% no volume de transacções.


Ainda há negócios milionários, enquanto se aguardam melhores dias...

A tendência contrasta com outros mercados da região. Na Arábia Saudita, os preços residenciais registaram uma ligeira descida (0,7%) no final de 2025, reflectindo medidas governamentais para conter a escalada e melhorar o acesso à habitação. Já o Catar enfrenta um ajustamento após o Mundial de futebol, com excesso de oferta no segmento de luxo a pressionar os preços em baixa.


Francis Ngannou: com 40 anos de idade, é tempo de pendurar as luvas...


Este cenário evidencia um mercado regional cada vez mais selectivo, onde o crescimento já não é uniforme e depende de factores como oferta disponível, políticas públicas e percepção de risco.
Ainda assim, o segmento de topo continua activo — e o Dubai permanece no radar dos grandes investidores. Um exemplo recente é a compra de uma penthouse de luxo por 25,2 milhões de dólares pelo atleta de artes marciais e boxeurFrancis Ngannou, numa operação intermediada pela eXp Realty.

O negócio reflecte uma tendência crescente de investimento transfronteiriço, com capitais a circular entre hubs internacionais como Miami e o Dubai, à procura de activos de elevado valor que combinem rendimento e estilo de vida.

Globalmente, o impacto da guerra faz-se sentir mais pela via indireta: subida das taxas de juro, maior cautela dos investidores e pressão sobre a procura. Em vários mercados internacionais, estes factores já se traduzem em estagnação ou ligeiras correcções de preços.

No Golfo, as perspectivas apontam para uma nova fase do ciclo imobiliário. Após anos de valorização acelerada, o sector entra agora num período de maior equilíbrio, marcado por crescimento mais moderado e maior exigência na escolha dos activos.

Sem colapso à vista, mas também sem a euforia recente, o mercado parece ajustar-se a uma nova realidade: menos impulsiva, mais selectiva — e ainda suficientemente robusta para acomodar negócios milionários. A evolução do conflito bélico que os EUA e Israel abriram na região, em última análise, será decisivo quanto à evolução da situação...


Abu Dhabi, capital capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU). foto de Challiyan em Wikipedia