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Dormidas turísticas em Portugal crescem 2% em setembro e receitas sobem 6,1%

30 de outubro de 2026

O setor do alojamento turístico em Portugal registou 3,4 milhões de hóspedes e 8,7 milhões de dormidas em setembro de 2026, correspondendo a aumentos homólogos de 2,5% e 2%, respetivamente. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as receitas totais do setor atingiram 890,2 milhões de euros, mais 6,1% do que no mesmo mês do ano passado.

Os proveitos de aposento, relativos especificamente ao alojamento, ascenderam a 696,6 milhões de euros, refletindo um crescimento de 6%. Ambos os indicadores aceleraram face a agosto, quando tinham aumentado 4,7%.

A evolução das dormidas foi sustentada pelos mercados nacional e internacional, embora a ritmos diferentes. As dormidas dos residentes cresceram 3,1%, para 2,5 milhões, acelerando face ao aumento de 1,4% registado em agosto. Já as dormidas de não residentes aumentaram 1,6%, para 6,2 milhões, ligeiramente abaixo do crescimento de 1,9% observado no mês anterior.

Norte lidera crescimento das dormidas

Entre as regiões portuguesas, o Norte apresentou o maior crescimento homólogo das dormidas em setembro, com uma subida de 6,6%. Seguiram-se o Centro e a Grande Lisboa, ambos com aumentos de 2,8%.

Em sentido contrário, o Oeste e Vale do Tejo registou uma diminuição de 2% e o Alentejo uma quebra de 0,8%. Os Açores também apresentaram uma evolução negativa, com uma redução de 1,6%, enquanto a Madeira cresceu 0,7%.

O Algarve manteve-se como a região com maior peso na atividade turística, concentrando 27,5% do total das dormidas. Seguiram-se a Grande Lisboa, com 22,2%, e o Norte, com 18,8%. Em conjunto, estas três regiões representaram 68,5% das dormidas registadas no país.

No mercado nacional, os maiores aumentos ocorreram na Península de Setúbal, onde as dormidas de residentes cresceram 10,1%, na Grande Lisboa, com uma subida de 8%, e no Centro, com 7,5%. Por outro lado, os Açores registaram uma quebra de 11,1% nas dormidas de residentes e o Algarve uma redução de 2%.

Mercado polaco destaca-se entre os turistas estrangeiros

O Reino Unido manteve-se como o principal mercado emissor de turistas não residentes, representando 19,1% das dormidas deste segmento em setembro. As dormidas de turistas britânicos aumentaram 3% face ao período homólogo.

A Alemanha ocupou a segunda posição, com uma quota de 12%, apesar de ter registado uma diminuição de 2,9%. Seguiram-se os Estados Unidos, responsáveis por 11,4% das dormidas de não residentes, com um crescimento de 5,7%.

Entre os dez principais mercados internacionais, a Polónia apresentou a evolução mais favorável, com um aumento de 11%. Em sentido contrário, França voltou a registar a maior descida, com uma quebra de 5,5%.

No conjunto, os dez principais mercados emissores representaram 75,6% das dormidas de turistas não residentes.

Lisboa, Porto e Lagoa entre os municípios em destaque

Lisboa concentrou 17,8% das dormidas nacionais em setembro, com cerca de 1,5 milhões, mais 2,8% do que no mesmo mês de 2025. As dormidas de residentes cresceram 6,8%, enquanto as de não residentes aumentaram 2,3%.

Albufeira ocupou a segunda posição, com 893,2 mil dormidas, equivalentes a 10,3% do total nacional e a um crescimento homólogo de 2,2%. O Porto ficou em terceiro lugar, com 714,5 mil dormidas, tendo registado uma subida de 5,6%, impulsionada sobretudo pelos visitantes estrangeiros.

Entre os dez principais municípios, Porto e Lagoa partilharam o maior crescimento das dormidas, ambos com aumentos de 5,6%. No caso de Lagoa, a evolução foi sustentada pelo crescimento de 7,3% das dormidas de não residentes. Portimão apresentou a maior quebra, com uma diminuição de 5,2%.

Estadas mais curtas e ocupação em queda

Apesar do aumento do número de dormidas, a duração média das estadias diminuiu. Nos estabelecimentos de alojamento turístico, a estada média fixou-se em 2,57 noites, menos 0,4% do que um ano antes.

A Madeira apresentou a estada média mais elevada, com 4,55 noites, seguida do Algarve, com 3,92 noites, e dos Açores, com 3,18 noites. Os valores mais baixos foram registados no Centro, com 1,77 noites, e no Oeste e Vale do Tejo, com 1,83 noites.

Também os indicadores de ocupação mantiveram uma trajetória descendente. A taxa líquida de ocupação-cama situou-se em 56,5%, menos 0,3 pontos percentuais do que em setembro de 2025, enquanto a taxa de ocupação-quarto recuou 0,4 pontos percentuais, para 69,3%.

A Madeira registou a taxa de ocupação-cama mais elevada, de 71,2%, seguida da Grande Lisboa, com 64,7%. O maior decréscimo regional ocorreu na Madeira, com uma redução de 3,9 pontos percentuais.

Receitas e rendimento por quarto aumentam

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) atingiu 102 euros em setembro, aumentando 2,8% em termos homólogos. Já o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) fixou-se em 147,3 euros, mais 3,3% do que no mesmo mês do ano anterior.

A Grande Lisboa apresentou o RevPAR mais elevado, com 150,2 euros, seguida da Madeira, com 121,2 euros. No indicador ADR, os valores mais altos foram registados na Grande Lisboa, com 182,2 euros, e no Algarve, com 155,6 euros.

O Norte destacou-se também no crescimento dos proveitos totais, com uma subida de 10,3%, e dos proveitos de aposento, que aumentaram 10,6%. No Alentejo, os proveitos totais cresceram 9,3% e os de aposento avançaram 7,5%.

Considerando a generalidade dos meios de alojamento, incluindo parques de campismo, colónias de férias e pousadas da juventude, Portugal registou 3,6 milhões de hóspedes e 9,5 milhões de dormidas em setembro, mais 2,5% e 2%, respetivamente. Neste conjunto, as dormidas nos parques de campismo cresceram 2,3%, enquanto nas colónias de férias e pousadas da juventude diminuíram 5,1%.

Os resultados de setembro indicam, assim, um crescimento da procura turística e das receitas do setor, num mês em que o aumento das dormidas foi acompanhado por estadias médias mais curtas e por uma ligeira redução das taxas de ocupação.