
Obras
Construção em alta: emprego atinge máximo desde 2011, mas novos concursos recuam 28%
A construção portuguesa mantém uma trajetória de crescimento, mas começa a enfrentar sinais distintos entre atividade, custos e novas encomendas. No segundo trimestre de 2026, o setor atingiu 400,4 mil trabalhadores, o nível de emprego mais elevado desde 2011, enquanto o investimento em construção e o crédito continuaram a crescer. Em sentido contrário, os custos de construção mantiveram uma subida significativa e os novos concursos de obras públicas recuaram 28% até julho.
O desempenho acompanha a evolução da economia portuguesa, cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,5% em termos homólogos e 0,8% face ao trimestre anterior no segundo trimestre.
Na construção, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou 1,8% em termos homólogos e 1,9% em cadeia. Já o Valor Acrescentado Bruto (VAB) avançou 1,6% face ao mesmo período do ano anterior e 0,3% em relação ao primeiro trimestre.
Estes dados são avançados pela Conjuntura da Construção, da AICOOPN.
Emprego cresce quatro vezes mais do que o total da economia
O mercado de trabalho é um dos principais indicadores da atual dinâmica do setor.
Segundo o INE, os 400,4 mil trabalhadores empregados na construção representam 7,4% do emprego total nacional. Face ao segundo trimestre de 2025, o setor ganhou 40,4 mil trabalhadores, um crescimento de 11,2%.
No conjunto da economia, o emprego aumentou 2,9%, equivalente a mais 151,5 mil trabalhadores.
A construção apresenta, assim, um ritmo de crescimento do emprego substancialmente superior ao da economia no seu conjunto, reforçando o peso do setor no mercado de trabalho nacional.
Crédito à habitação ultrapassa 12 mil milhões
Também o financiamento bancário continua a acompanhar a atividade.
Nos primeiros seis meses do ano, os bancos concederam 12.153 milhões de euros em novo crédito para aquisição de habitação, excluindo operações de renegociação. O montante representa um crescimento de 11,3% face ao primeiro semestre de 2025.
No financiamento às empresas, o stock de crédito concedido à construção e às atividades imobiliárias atingiu 17.791 milhões de euros em julho, mais 9,5% do que um ano antes.
Os dados apontam para uma evolução positiva do financiamento tanto no mercado residencial como na atividade empresarial ligada à construção e ao imobiliário.
Custos continuam a subir
O principal fator de pressão sobre o setor continua a estar do lado dos custos.
Em junho, os custos de construção de habitação nova aumentaram 7,2% em termos homólogos, com os materiais a registarem uma subida de 6,5% e a mão de obra de 8,0%.
A evolução dos custos surge num momento em que a procura e o financiamento apresentam sinais positivos, mas constitui uma pressão adicional sobre a execução de novos projetos e sobre as margens dos operadores.
Menos licenças, mais fogos
No mercado residencial, os dados do licenciamento revelam uma mudança na dimensão média dos projetos.
No primeiro semestre foram emitidas 12.660 licenças, menos 8,9% do que no mesmo período do ano passado. Contudo, o número de novos fogos licenciados aumentou 4,0%.
A combinação dos dois indicadores significa que, em média, cada licença corresponde agora a um maior número de fogos. A evolução é compatível com uma maior concentração em projetos multifamiliares de maior dimensão e representa um aumento da oferta habitacional potencial.
Obras públicas sustentadas pela carteira existente
Nas obras públicas, a atividade mantém-se elevada, suportada pelo volume de trabalhos contratados anteriormente.
A carteira beneficia dos níveis recorde de contratação pública registados em 2025, cujos projetos continuam em execução.
O ritmo de entrada de novas obras, contudo, é inferior ao registado há um ano. Até ao final de julho, os concursos promovidos totalizaram 4.935 milhões de euros, uma redução de 28% em termos homólogos.
No mesmo período, os contratos celebrados e registados no Portal BASE ascenderam a 2.504 milhões de euros, também menos 28% do que no período homólogo.
Um setor em crescimento, mas com sinais a acompanhar
Os indicadores disponíveis desenham um setor ainda dinâmico, mas com diferentes velocidades.
O emprego está em máximos de mais de uma década, o investimento cresce, o crédito mantém uma evolução positiva e os fogos licenciados aumentam. Em paralelo, os custos de construção permanecem elevados e os novos procedimentos de contratação pública registam uma redução significativa.
A evolução destes indicadores nos próximos meses será determinante para perceber se o atual nível de atividade consegue manter-se à medida que a carteira de obras públicas contratada em 2025 for sendo executada e que novos projetos residenciais avancem para a fase de construção.
















