
Christine Lagarde
BCE mantém taxas de juro e reforça cautela perante cenário de incerteza
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter inalteradas as taxas de juro de referência na reunião de hoje, 19 de Março, num contexto marcado por elevada incerteza geopolítica, reforçando uma postura de prudência na condução da política monetária.
A taxa de depósitos permanece nos 2%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento se mantém nos 2,15% e a da facilidade permanente de cedência de liquidez nos 2,40%. A decisão era amplamente antecipada pelo mercado.
A inflação deverá situar-se em 2,6% em 2026, abrandando para 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028.
Apesar de não mexer nos juros, o BCE sublinha que continua atento à evolução da inflação e disponível para agir, caso os preços voltem a acelerar. A instituição liderada por Christine Lagarde reafirma o compromisso de garantir a estabilização da inflação em torno do objetivo de 2% no médio prazo.
No entanto, o banco central alerta que o actual contexto internacional, marcado pelo conflito no Médio Oriente, tornou as perspectivas económicas “consideravelmente mais incertas”, sobretudo devido ao impacto nos preços da energia e o efeito reprodutor dessa consequência.
Essa incerteza levou o BCE a rever em alta as projecções de inflação e em baixa as estimativas de crescimento económico. A inflação deverá situar-se em 2,6% em 2026, abrandando para 2,0% em 2027 e 2,1% em 2028. Já o crescimento económico foi revisto em baixa, com previsões de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028.
Ainda assim, o BCE considera que a economia da zona euro tem demonstrado resiliência, apoiada pelo baixo desemprego, pela solidez financeira do sector privado e pelo aumento do investimento público, nomeadamente em defesa e infraestruturas.
A autoridade monetária mantém, assim, uma estratégia dependente dos dados, privilegiando a estabilidade num momento de maior volatilidade externa, mas sem excluir ajustes futuros nas taxas de juro












