Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Subida dos juros do BCE reforça pressão sobre Euribor e crédito à habitação

Imagem gerada por IA

Subida dos juros do BCE reforça pressão sobre Euribor e crédito à habitação

12 de junho de 2026

A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de aumentar as taxas de juro directoras em 25 pontos base, para 2,25%, deverá reforçar a tendência de subida das Euribor, que já vinham registando aumentos consistentes nas últimas semanas, antecipando um endurecimento da política monetária na Zona Euro.

O aumento anunciado esta quinta-feira marca a primeira subida das taxas de referência do BCE desde Setembro de 2023 e surge num contexto de renovadas pressões inflacionistas associadas ao agravamento do conflito no Médio Oriente e ao aumento dos preços da energia.

As taxas Euribor a três, seis e 12 meses — que servem de indexante à maioria dos contratos de crédito à habitação em Portugal — já reflectiam nos mercados monetários a expectativa de uma actuação do banco central. Nos últimos meses, as três maturidades registaram uma trajectória ascendente, sinalizando que os investidores antecipavam juros mais elevados durante um período mais prolongado.

Na conferência de imprensa após a reunião do Conselho do BCE, a presidente da instituição, Christine Lagarde, afirmou que a subida de 25 pontos base era "um sinal necessário" face à actual conjuntura económica e às perspectivas para a inflação. Segundo a responsável, a decisão foi tomada por unanimidade.


O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, considerou que o aumento dos juros "não era absolutamente necessário"

O BCE prevê que a inflação se mantenha próxima de 3% durante este ano e no início de 2027, regressando ao objectivo de 2% apenas na segunda metade desse ano.

Para as famílias com crédito à habitação indexado à Euribor, a decisão aumenta a probabilidade de novas revisões em alta das prestações nos próximos meses, sobretudo para os contratos com actualização semestral ou anual. Embora as Euribor sejam determinadas pelo mercado interbancário e não directamente pelo BCE, existe uma forte correlação entre ambas, uma vez que as expectativas sobre a política monetária influenciam o custo do dinheiro entre os bancos.

A evolução recente das Euribor sugere que os mercados já estavam a incorporar a possibilidade de uma subida dos juros oficiais, mas a confirmação da decisão do BCE poderá consolidar esse movimento e manter a pressão sobre os encargos financeiros das famílias e das empresas.

A decisão do banco central não reúne, contudo, consenso. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, considerou que o aumento dos juros "não era absolutamente necessário", defendendo que a actual crise energética difere da registada em 2022 e que uma resposta monetária mais restritiva poderia não ser a solução mais adequada.

Ainda assim, o BCE mantém o foco no controlo da inflação, sinalizando aos mercados que continuará atento aos riscos inflacionistas decorrentes do actual contexto geopolítico. Essa posição deverá continuar a influenciar a trajectória das Euribor nos próximos meses, condicionando o custo do crédito e as decisões de investimento na economia europeia.