
Reabilitação Urbana - Foto DI
Reabilitação urbana perde dinamismo no arranque do segundo semestre
O mercado da reabilitação urbana entrou no segundo semestre de 2026 com sinais de abrandamento. De acordo com o Barómetro da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), os indicadores qualitativos do setor mantiveram uma evolução positiva em julho, embora com uma desaceleração expressiva face ao mês anterior.
O Índice do Nível de Atividade registou uma subida homóloga de apenas 0,8%, depois de ter atingido 10,7% em junho. Já o Índice da Carteira de Encomendas manteve uma evolução mais favorável, crescendo 6,9% face a julho de 2025.
Apesar do abrandamento da atividade, as empresas do setor continuam a dispor de um volume significativo de trabalho contratado. Em julho, a Produção Contratada assegurava, em média, 8,7 meses de atividade, ao ritmo normal de execução. O valor, contudo, fica ligeiramente abaixo dos nove meses registados no mesmo período de 2025.
Licenciamento continua em queda
Os dados relativos ao licenciamento constituem o principal sinal de alerta para a evolução futura da reabilitação urbana.
Segundo informação do Instituto Nacional de Estatística (INE), foram licenciadas 2.960 obras de reabilitação durante o primeiro semestre de 2026, menos 12,5% do que no mesmo período do ano anterior.
A quebra foi transversal aos diferentes segmentos. No caso dos edifícios residenciais, foram licenciadas 1.833 obras, correspondendo a uma redução homóloga de 10,8%. Já no segmento não residencial, foram licenciadas 1.127 obras, menos 15,2% em termos homólogos.
A evolução dos licenciamentos revela, assim, uma contração da entrada de novos projetos de reabilitação, numa altura em que a atividade das empresas ainda beneficia de uma carteira de encomendas relativamente sólida.
Carteira de encomendas mantém-se positiva
Apesar da redução dos licenciamentos, o setor mantém níveis de atividade contratada que permitem às empresas assegurar vários meses de trabalho.
A carteira de encomendas cresceu 6,9% em julho, embora este crescimento também represente uma desaceleração face aos 9,9% registados em junho.
A evolução demonstra que existe ainda procura por obras de reabilitação, mas os indicadores apontam para um mercado que poderá enfrentar maior pressão nos próximos meses caso a diminuição do licenciamento de novas intervenções persista.
Residencial e não residencial recuam
A quebra dos licenciamentos verifica-se tanto na reabilitação habitacional como na não residencial.
No segmento residencial, a redução acumulada passou de 8,9% em abril para 10,8% no final do primeiro semestre. No segmento não residencial, a contração agravou-se de 13,5% para 15,2% no mesmo período.
Os dados disponíveis mostram, deste modo, que a diminuição da atividade de licenciamento não está concentrada num único segmento, abrangendo de forma generalizada os projetos de reabilitação.
Ainda assim, a AICCOPN alerta para uma limitação importante na leitura destes números: as estatísticas de licenciamento do INE abrangem apenas as operações sujeitas a controlo prévio municipal. Como tal, não refletem a totalidade das intervenções de reabilitação realizadas no território nacional.
Perspetivas de maior cautela
Os indicadores do Barómetro AICCOPN traçam, assim, um cenário de transição para o mercado da reabilitação urbana. Por um lado, as empresas continuam a apresentar uma carteira de encomendas positiva e dispõem, em média, de quase nove meses de atividade contratada.
Por outro, a forte redução dos licenciamentos no primeiro semestre e o abrandamento do nível de atividade em julho constituem sinais de maior cautela quanto à evolução do setor.
A continuidade desta tendência dependerá, em particular, da capacidade de transformar a procura existente em novos projetos e de assegurar um fluxo regular de obras licenciadas. Para já, os dados de julho apontam para uma reabilitação urbana ainda em crescimento, mas com um ritmo bastante mais moderado no início do segundo semestre de 2026.
















