
Ricardi Sousa, CEO da CENTURY 21 Portugal
Procura por habitação mantém-se, mas acesso à compra continua a agravar-se - diz a CENTURY 21
A procura por habitação em Portugal continua elevada, mas o acesso à compra de casa está cada vez mais condicionado pelos preços, pela escassez de oferta e pela capacidade financeira das famílias. A conclusão é da CENTURY 21 Portugal, que aponta para um mercado mais selectivo, apesar de o interesse dos compradores se manter.
No primeiro semestre de 2026, a rede imobiliária acompanhou cerca de 12 mil famílias na compra, venda e arrendamento de habitação, menos 5% do que no mesmo período de 2025, reflectindo o abrandamento da actividade. Ainda assim, o volume de negócio mediado aumentou 3% em termos homólogos.
A análise acompanha a evolução do mercado nacional. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de transacções de habitação caiu 8,7% no primeiro trimestre de 2026 face ao período homólogo. Já as projecções da Confidencial Imobiliário apontam para uma redução de cerca de 6% das vendas no segundo trimestre, confirmando uma tendência de desaceleração ao longo do semestre.
Apesar da quebra das transacções, a procura mantém-se, sustentada pelo crescimento do crédito à habitação. Dados do Banco de Portugal indicam que o financiamento à habitação atingiu 13.240 milhões de euros entre Janeiro e Maio, mais 17,99% do que no mesmo período de 2025. Excluindo renegociações, o crédito destinado à compra de habitação aumentou 11,7%, para 9.996 milhões de euros.
Oferta disponível escassa...
Para a CENTURY 21, o aumento do financiamento demonstra que existe capacidade de compra por parte de muitas famílias, mas não resolve o problema estrutural do acesso à habitação, devido à reduzida oferta disponível.
A rede destaca ainda que a compra de casa depende cada vez mais da valorização do património já detido pelos proprietários. Segundo o INE, 87% das transacções registadas no primeiro trimestre foram realizadas por famílias e 80,4% envolveram habitação usada, evidenciando um mercado assente sobretudo na troca de imóveis entre proprietários.
Em paralelo, os preços continuam elevados. O Índice de Preços da Habitação aumentou 17,8% no primeiro trimestre face ao período homólogo, embora a Confidencial Imobiliário estime uma redução de cerca de 4% no valor médio das transacções entre o primeiro e o segundo trimestre.
Necessidade (premente) de aumento de oferta...
O CEO da CENTURY 21 Portugal, Ricardo Sousa, considera que o mercado continua activo, mas "mais seletivo", defendendo que o principal desafio já não é gerar procura, mas transformá-la em acesso efectivo à habitação. Na sua opinião, o aumento da oferta deve ser acompanhado por um planeamento que tenha em conta a localização, a mobilidade e as necessidades reais das famílias.
Neste sentido, Ricardo Sousa defende que "não basta construir mais. Precisamos de construir, nos locais onde as pessoas vivem e trabalham, onde há transportes públicos e para os segmentos da população que realmente necessita. Habitação, mobilidade, emprego, saúde e educação têm de ser pensados de forma integrada."
Para o segundo semestre, a rede antecipa um mercado resiliente, apoiado pelo emprego e pelas actuais condições de financiamento, mas admite que a actividade continuará condicionada pela escassez de oferta e pelo desfasamento entre os preços das casas e o rendimento das famílias.

















