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Procura imobiliária desloca-se para o interior, com crescimentos acima de 100% - diz Imovirtual

Cartoon gerado por IA em chatGPT

Procura imobiliária desloca-se para o interior, com crescimentos acima de 100% - diz Imovirtual

10 de fevereiro de 2026

A procura por habitação em Portugal está a mudar de geografia. Dados do Imovirtual indicam que, entre 2024 e 2025, os principais centros urbanos perderam procura, enquanto vários concelhos do interior registaram aumentos muito expressivos, em alguns casos superiores a 100%.

Nos mercados tradicionalmente mais procurados, a tendência é de retracção. Lisboa registou uma quebra de 13,2% na procura por compra de casa, o Porto caiu 4,3% e as descidas foram ainda mais acentuadas em Vila Nova de Gaia (-29,2%), Cascais (-34,6%) e Sintra (-14,8%). O abrandamento surge num contexto de preços elevados e maior cautela dos compradores.

Em sentido oposto, vários concelhos fora do radar habitual destacaram-se pelo forte crescimento da procura. Vila Nova de Foz Côa lidera, com um aumento de 135,3%, seguida de Alfândega da Fé (+123,3%), Sernancelhe (+106,6%), Murça (+91,9%) e Aljezur (+83,1%). Embora representem ainda uma fatia menor do volume total de pesquisas no portal, estes números apontam para uma mudança clara no comportamento dos compradores.



A evolução da procura acompanha-se de correções significativas nos preços. Em Vila Nova de Foz Côa, o preço médio da oferta desceu 32,3%, para 270.000 euros. Alfândega da Fé registou uma queda de 23,5%, Sernancelhe de 26,5% e Murça de 48,3%, tornando estes mercados substancialmente mais acessíveis face aos grandes centros, onde os valores médios continuam, em muitos casos, acima dos 300.000 euros.

Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, os dados reflectem “uma redistribuição clara da procura imobiliária”, impulsionada por preços mais ajustados e maior margem de decisão fora dos grandes eixos urbanos. “Não se trata de um fenómeno pontual, mas de um sinal consistente de mudança”, sublinha.

O movimento sugere uma abertura crescente a territórios alternativos, onde factores como preço e qualidade de vida ganham peso, apontando para uma redefinição gradual do mapa imobiliário português.