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Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal

Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal

Em 2026 vai existir um ajustamento no volume de vendas

10 de fevereiro de 2026

Ricardo Sousa, CEO da Century 21, indica que a troca de casa o grande motor das transacções em 2025 e para 2026 antecipa um ajustamento no volume de vendas em 2026.

Para a conferência dos NO Filters, realizada pelo Diário Imobiliário, no dia 4 Fevereiro, nas instalações do MAP Group, onde foram debatidos os temas: O mercado imobiliário em 2026, o que vai mudar e Oportunidades de Investimento em imobiliário em 2026, o responsável revelou que o mercado imobiliário para 2026 perfila-se como um ano favorável ao investimento imobiliário.

Como caracteriza o desempenho do mercado imobiliário em 2025?

Em 2025, o mercado residencial português voltou a demonstrar uma procura estruturalmente forte. Esta dinâmica foi sustentada por um mercado de trabalho robusto, crédito habitação mais acessível, investimento internacional e apoios aos jovens. Contudo, foi a troca de casa o grande motor das transações. O ano encerra com o volume de vendas residenciais a crescer mais de 8% e a valorização dos preços a atingir os dois dígitos.

Que expectativas existem para o mercado imobiliário em 2026, em termos de actividade e confiança?

Apesar da confiança se manter elevada entre os operadores, a quebra registada no último trimestre de 2025 — face ao período homólogo de 2024 — leva-nos a antecipar um ajustamento no volume de vendas em 2026. Ainda assim, os preços deverão demonstrar resiliência e manter a trajectória de subida, especialmente nos mercados periféricos e cidades secundárias.

Acredita que 2026 será um ano mais favorável para investimento? Porquê?

Neste enquadramento, 2026 perfila-se como um ano favorável ao investimento imobiliário, sustentado por três pilares fundamentais:

1. Menor incerteza financeira: Com a estabilização das taxas de juro, o custo de capital torna-se mais previsível, melhorando a capacidade de estruturação de operações, especialmente as de médio prazo.

2. Políticas públicas focadas na oferta: Medidas como o IVA a 6% na construção e reabilitação (mediante critérios) serão cruciais para viabilizar projetos que, anteriormente, não tinham margem financeira — sobretudo nos segmentos de maior procura.

3. Racionalidade do investimento: A procura estrutural mantém-se forte, mas o capital será mais selectivo. O sucesso estará no investimento que responde a necessidades reais: o produto certo, ao preço justo, com boa localização e mobilidade.

Em suma, prevemos um ano positivo para o investimento, mas sem euforia: a rentabilidade dependerá estritamente da excelência na execução, do controlo de custos e da adequação do produto ao poder de compra efectivo das famílias.

Que segmentos do mercado deverão apresentar maior dinamismo no próximo ano?

Os segmentos com maior probabilidade de dinamismo em 2026 são:

  • Habitação para classe média (e médio-baixo): onde a procura se concentra.
  • “Living” com gestão profissional: build-to-rent/arrendamento profissional, residências de estudantes e senior living, por combinarem procura estrutural com modelos mais institucionalizados.
  • Mercados periféricos e cidades secundárias, desde que haja emprego e ligação eficiente aos polos (mobilidade): tendem a ganhar tracção quando a acessibilidade nos centros

Que impacto espera das políticas públicas e do contexto macroeconómico na evolução do sector em 2026?

Em 2026, o impacto das políticas públicas será sobretudo estrutural. As medidas na habitação e na mobilidade actuam em ciclos longos e não resolvem o curto prazo, mas são fundamentais para dar previsibilidade, confiança e capacidade de planeamento ao mercado. Em paralelo, a manutenção de apoios de curto prazo — como os dirigidos aos jovens e os incentivos fiscais no arrendamento — sustenta a procura e, sem uma resposta mais rápida da oferta, pode manter a pressão sobre o mercado.