
Avenida de Barcelona - Foto de frimufilms em Freepik
Preço médio esconde crise de acesso à habitação em várias cidades espanholas
Os dados nacionais sobre habitação em Espanha continuam a transmitir uma imagem de relativa estabilidade, mas escondem uma realidade bem mais grave em vários municípios, onde comprar casa já exige um esforço considerado crítico. É esta a principal conclusão de análises recentes que contrastam as médias nacionais do Banco de España com indicadores locais detalhados da Tinsa by Accumin e que são analisados em detalhe num artigo recente do diário online El Confidencial.
Em termos médios, o esforço de compra em Espanha mantém-se dentro de limites considerados aceitáveis: cerca de 35% do rendimento disponível das famílias e 7,8 anos de salário para adquirir uma habitação, valores ainda longe dos máximos registados antes da crise de 2008. No entanto, estas médias nacionais “camuflam” situações extremas em grandes centros urbanos, áreas metropolitanas e zonas costeiras com forte procura turística.
De acordo com a Tinsa, no final de 2025 o acesso à habitação entrou em nível crítico — acima de 45% do rendimento familiar — em cidades como Madrid (56%) e Barcelona (53%), mas também em vários municípios fora dos grandes centros. Destacam-se casos como Marbella (76%), Benidorm (63%), Vélez-Málaga (54%) ou Sanlúcar de Barrameda (52%), todos eles destinos turísticos onde a pressão da procura fez disparar os preços.
O fenómeno já não se limita às capitais aponta a consultora especializa em avaliação imobiliária. Na área metropolitana de Madrid, municípios tradicionalmente mais acessíveis como Alcorcón, Leganés, Móstoles ou Coslada ultrapassaram pela primeira vez o limiar dos 35%, considerado o limite razoável pelos especialistas. Em Barcelona, localidades vizinhas como L’Hospitalet de Llobregat, Badalona ou Santa Coloma de Gramenet seguem a mesma trajectória.
Segundo Cristina Arias, directora de estudos da Tinsa, o forte aumento dos preços a partir da segunda metade de 2025 inverteu a tendência de melhoria registada em 2023 e 2024, quando a descida da inflação e dos juros ajudava a compensar a subida moderada dos valores imobiliários. “Hoje, o preço da habitação cresce mais depressa do que os salários e o custo de vida, agravando o problema do acesso sobretudo nos polos de emprego e nas zonas turísticas”, alerta.
Os dados mostram ainda que quase metade dos municípios analisados registou subidas de preços superiores a 10% num só ano, sinal de que o problema deixou de ser exclusivo das grandes cidades. Para os analistas, (tal como cá…) sem um aumento significativo da oferta — sobretudo de habitação nova — a pressão sobre os preços e a acessibilidade tenderá a alastrar, transformando a actual “mancha de óleo” num problema estrutural à escala nacional.















