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Portugal prepara mais de 2,6 GW em centros de dados e reforça posição na Europa
Portugal está a consolidar-se como um dos mercados emergentes mais relevantes da Europa para centros de dados, com mais de 2,6 gigawatts (GW) de capacidade de TI planeada, segundo o relatório “Iberian Region Snapshot”, da Colliers.
O crescimento é liderado pela região de Lisboa, cuja capacidade prevista passou de 373 MW para 1.389 MW num ano, reforçando o posicionamento da capital portuguesa no mapa europeu das infraestruturas digitais.
A importância da rede de cabos submarinos
Nos últimos seis meses, a capacidade operacional de Lisboa aumentou de 20 MW para 25 MW, impulsionada pela entrada em funcionamento do primeiro centro de dados da AtlasEdge na cidade. No entanto, o maior avanço verifica-se nos projectos em desenvolvimento, com destaque para a Merlin Edged, que anunciou até 1.300 MW de capacidade planeada na região de Lisboa, incluindo 80 MW já em construção.
A expansão do setor estende-se também a outros polos nacionais. Em Sines, o projecto Start Campus prevê 1.169 MW de capacidade, enquanto a Asterion Industrial Partners desenvolve um campus na Covilhã com potencial para atingir 75 MW.
Segundo a Colliers, a atractividade de Portugal resulta da sua posição estratégica e da forte rede de cabos submarinos, que liga a Península Ibérica à América do Norte, África e Ásia, factores considerados decisivos para a crescente procura associada à inteligência artificial e aos serviços cloud.
O relatório sublinha, contudo, que a capacidade de execução dos projectos e o acesso à energia serão determinantes para o crescimento futuro do sector. Portugal introduziu este ano novas regras de acesso à rede eléctrica para zonas de elevada procura, substituindo o modelo “primeiro a chegar, primeiro a ser servido” por um sistema mais competitivo e estruturado.
Para a consultora, o país deixou de ser visto como um mercado alternativo, assumindo-se cada vez mais como uma localização estratégica para investimento em infraestruturas digitais de grande escala.
Localização é mais valia
“O mercado de centros de dados já não é definido apenas pela procura, mas pela capacidade de execução”, explica José María Guilleuma, Managing Director de Data Centers na Colliers Iberia. “Portugal reúne muitas das características estruturais que os investidores procuram actualmente, mas a próxima fase de crescimento dependerá da eficiência com que os projectos forem concretizados dentro dos novos enquadramentos regulatórios e energéticos.” “A evolução do mercado de centros de dados reflecte uma mudança mais ampla na forma como os investidores internacionais percepcionam o nosso país”, comenta Pedro Valente, Managing Director na Colliers Portugal. “Portugal já não é um mercado alternativo, mas sim uma localização estratégica para capital que procura infraestruturas digitais escaláveis e preparadas para o futuro. O dinamismo do investimento reflecte não só um pipeline sólido de projectos, mas também um alinhamento crescente entre capital, conectividade e compromisso institucional”, conclui Pedro Valente.
















