
Turismo - IPDT
Portugal pode captar 500 milhões de euros do turismo alemão devido à guerra no Médio Oriente
Portugal, posicionado como um dos países mais seguros do mundo, emerge como uma alternativa sólida e previsível para os fluxos turísticos que evitam zonas de conflito, indica o IPDT – Tourism Intelligence.
De acordo com a mais recente análise do IPDT, o turismo global está a entrar numa nova fase em que a segurança deixou de ser um pressuposto para se tornar um critério central na decisão de viagem. A actual instabilidade no Médio Oriente está a provocar uma reconfiguração estrutural no sistema de mobilidade mundial, forçando a transição de uma lógica baseada na experiência para uma assente na consciência do risco. Esta disrupção na região, que funciona como um hub crítico de conectividade intercontinental, gera impactos sistémicos que vão desde o desvio de rotas aéreas e aumento dos custos operacionais até à alteração profunda nos padrões de procura.
Neste contexto, Portugal, posicionado como um dos países mais seguros do mundo, emerge como uma alternativa sólida e previsível para os fluxos turísticos que evitam zonas de conflito. De acordo com o IPDT, o mercado alemão surge como o caso estratégico de maior relevo, dado que, em 2024, excluindo a Turquia, os países do Médio Oriente receberam aproximadamente 3 milhões de turistas alemães com estadas superiores a cinco noites, tendo o Egipto a maior quota neste volume.
O IPDT projecta que, num cenário em que Portugal consiga captar 15% deste fluxo de turistas alemães, o impacto na economia nacional seria extremamente significativo, resultando num acréscimo de aproximadamente 300 mil hóspedes. Esta dinâmica reflectir-se-ia na contabilização de mais 2,4 milhões de dormidas adicionais, culminando numa injeção económica direta estimada em cerca de 500 milhões de euros em receitas para o país.
“O futuro do turismo português dependerá da nossa capacidade de antecipação e não apenas de reação. Num contexto onde viajar implica, cada vez mais, avaliar o risco, os destinos que se destacarão não serão apenas os mais desejados, mas os mais confiáveis. A segurança deixou de ser um atributo implícito para se assumir como um ativo competitivo explícito, e Portugal deve posicionar-se rapidamente como essa alternativa sólida, capaz de oferecer uma diversidade concentrada que responda às novas exigências dos viajantes europeus”, refere Jorge Costa, presidente do IPDT - Tourism Intelligence.
Paralelamente, as viagens de longo curso deverão apresentar um comportamento distinto face ao período pré-2026. Apesar da retoma do mercado asiático após a pandemia, o eventual impacto do conflito no Médio Oriente não deverá afastar Portugal das opções destes turistas, sendo o aumento do custo e da complexidade da viagem o principal condicionante, mais do que a percepção de segurança.
Prevê-se, ainda, um reforço do turismo de proximidade, com mercados como Espanha e França a valorizarem Portugal como um destino seguro e com uma relação qualidade-preço competitiva face aos restantes mercados.
A concretização deste potencial de crescimento exige o cumprimento de condições críticas, começando pelo reforço da conectividade aérea através de novas ligações directas, uma gestão estratégica de slots e a valorização do Porto como um hub estratégico. É igualmente prioritário assegurar a capacidade territorial através da redução da pressão em Lisboa e no Algarve, promovendo simultaneamente o desenvolvimento do interior e da região Centro para garantir uma experiência turística diferenciada e sustentável.
O IPDT alerta ainda que o principal risco identificado não é a falta de procura, mas sim a eventual incapacidade de geri-la de forma equilibrada, evitando a saturação das infraestruturas em Lisboa e Faro e a pressão excessiva sobre recursos ambientais como a água e a energia. O sucesso de Portugal dependerá, portanto, de uma política que incentive a desconcentração da procura e valorize os segmentos de maior rendimento, consolidando o país como um destino seguro e confiável perante a volatilidade internacional.














