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Portugal: destino de eleição para nómadas digitais, com interior a ganhar protagonismo

Traditional Dream Factory (TDF), em Abela, Santiago do Cacém.

Portugal: destino de eleição para nómadas digitais, com interior a ganhar protagonismo

29 de agosto de 2025

Portugal consolida-se como um dos destinos mais atractivos da Europa para nómadas digitais, beneficiando de factores como qualidade de vida, segurança, custo acessível, boa conectividade e um quadro legal favorável. O movimento, inicialmente concentrado em Lisboa, Porto e zonas costeiras, está agora a expandir-se para o interior, onde surgem projectos comunitários e sustentáveis que oferecem novas formas de viver e trabalhar.

De acordo com o Global Digital Nomad Report 2024, Portugal ocupa a 7.ª posição mundial entre os destinos mais procurados por trabalhadores remotos, destacando-se em matéria de vistos (3.º lugar) e qualidade de vida (9.º). O país é considerado o mais acessível da Europa Ocidental, em parte devido ao visto D8, criado para nómadas digitais, que permite a residência e abre caminho à cidadania. Só em Lisboa vivem actualmente mais de 16 mil nómadas digitais, e em 2023 foram emitidos cerca de 2.500 vistos deste tipo.



Trabalhar e socializar...



Do litoral ao interior: um “êxodo rural digital”

Embora os centros urbanos continuem a concentrar grande parte dos nómadas digitais, cresce o interesse por zonas rurais, onde o custo de vida é mais baixo e o contacto com a natureza mais directo. Esta tendência, já apelidada de “êxodo rural digital”, está a impulsionar comunidades regenerativas que combinam trabalho remoto, sustentabilidade e vida comunitária.

Um exemplo é a Traditional Dream Factory (TDF), em Abela, Santiago do Cacém. Concebida como uma ecovila tecnológica e colaborativa, a TDF transformou os terrenos de uma antiga exploração avícola num espaço de coliving e coworking. O projecto já recebeu mais de 3.000 visitantes internacionais e oferece alojamentos glamping, espaços de trabalho, oficinas artísticas, cafetaria e sauna, estando a expandir-se com suites privadas, casas de madeira e piscina biológica.

«A vida em harmonia com a natureza pode ser tão prática quanto inspiradora», sublinha Samuel Delesque, cofundador da TDF, que defende um modelo baseado na regeneração do solo, cultivo de alimentos e partilha de conhecimento.



Um diferente estilo de vida...



Comunidades sustentáveis e tecnológicas

A TDF funciona como uma DAO (organização autónoma descentralizada), financiada através do seu próprio token digital, o $TDF, que garante acesso às instalações e incentiva a participação colectiva. O modelo alia tecnologia blockchain a práticas ecológicas, como a plantação de milhares de árvores e a gestão sustentável da água.

Mais do que um espaço de trabalho, estas iniciativas apresentam-se como alternativas reais à vida urbana, promovendo um estilo de vida descentralizado, comunitário e ambientalmente consciente.

Com o crescimento do trabalho remoto e a procura de novos estilos de vida, Portugal reforça a sua posição como destino de eleição para nómadas digitais, abrindo caminho a uma nova etapa de desenvolvimento no interior do país.