
Foto JLL
Ocupação de escritórios em Lisboa cresce 179% em setembro, mas cai 25% no acumulado do ano
A ocupação de escritórios em Lisboa atingiu 17.525 metros quadrados em setembro, mais 179% do que em agosto, registando o segundo melhor mês de 2026. Apesar da recuperação mensal, o mercado acumula uma quebra de 25% nos primeiros nove meses do ano, segundo os dados da consultora JLL.
De acordo com o mais recente Office Flashpoint, setembro foi apenas superado por abril, quando foram ocupados cerca de 19.600 metros quadrados. Em comparação com setembro de 2025, a atividade manteve-se estável.
O desempenho mensal foi impulsionado por operações de maior dimensão. Das dez transações realizadas, quatro envolveram áreas superiores a 1.000 metros quadrados, destacando-se dois negócios de 5.500 e 4.900 metros quadrados.
A área média por operação atingiu 1.753 metros quadrados, mais do dobro da média registada desde o início do ano. A Nova Zona de Escritórios (Zona 3), que abrange o eixo entre Benfica, Praça de Espanha e Campo Grande, concentrou 47% da ocupação de escritórios em Lisboa durante setembro, segundo a JLL.
Lisboa acumula 98 mil metros quadrados ocupados
Entre janeiro e setembro, a ocupação de escritórios na região de Lisboa totalizou 98.000 metros quadrados, menos 25% do que no período homólogo de 2025.
Apesar da redução da área ocupada, o número de operações aumentou 3%, para 118, refletindo uma maior predominância de negócios de menor dimensão.
A área média transacionada recuou 27%, para 830 metros quadrados, enquanto o número de operações com áreas iguais ou superiores a 1.000 metros quadrados diminuiu 7%, para 25.
Os setores de outros serviços e serviços a empresas concentraram, respetivamente, 31% e 16% da ocupação acumulada. A Nova Zona de Escritórios manteve a liderança geográfica, com 37% da área transacionada.
Porto regista quebra de 80% em setembro
No Porto, a ocupação de escritórios atingiu 2.350 metros quadrados em setembro, mais 10% do que em agosto, mas menos 80% face ao mesmo mês de 2025.
Foram realizadas quatro operações, com uma área média de 588 metros quadrados. A zona da Boavista concentrou 82% da ocupação mensal, enquanto o setor de consultoria e advocacia representou 73% da procura.
Nos primeiros nove meses do ano, o mercado portuense acumulou 25.600 metros quadrados ocupados, uma redução homóloga de 10%.
Ainda assim, o número de operações aumentou 12%, para 46, e as transações com áreas iguais ou superiores a 1.000 metros quadrados cresceram 20%, totalizando seis negócios.
A área média por operação diminuiu 20%, para 556 metros quadrados. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, as Outras Zonas do Porto (Zona 5), que incluem áreas como a Foz do Douro e a Asprela, concentraram 24% da ocupação de escritórios, seguidas da Zona Empresarial do Porto (ZEP), na área de Ramalde, com 22%. O setor das tecnologias, media, telecomunicações e serviços de utilidade pública representou 35% da procura.
JLL antecipa maior atividade no último trimestre
Bernardo Vasconcelos, Head of Office Leasing da JLL Portugal, considera que os resultados de setembro demonstram a existência de procura por espaços de maior dimensão em Lisboa, apesar da redução da ocupação acumulada.
No Porto, o responsável destaca o crescimento do número de operações, embora a área ocupada continue abaixo dos valores do ano passado.
A consultora antecipa uma recuperação da atividade no último trimestre, período em que tradicionalmente se concretiza um maior número de decisões empresariais.
Apesar desta expectativa, os dados dos primeiros nove meses de 2026 mostram que os dois principais mercados nacionais de escritórios continuam abaixo dos níveis de ocupação registados em 2025, com quebras de 25% em Lisboa e 10% no Porto.















