
Bragança- Foto DI
Mercado imobiliário português evolui a diferentes velocidades entre regiões
Os preços médios dos imóveis anunciados para venda mantiveram-se nos 430 mil euros em Agosto, enquanto o arrendamento permaneceu nos 1.300 euros mensais. Por detrás desta estabilidade nacional, o Barómetro do Imovirtual revela fortes diferenças regionais, com o Centro a liderar a valorização na venda e o Norte a registar a maior subida nas rendas.
O mercado imobiliário português manteve-se estável em termos nacionais durante o mês de Agosto, mas a evolução dos preços continua a ser marcada por fortes diferenças entre regiões. Segundo o Barómetro do Imovirtual, o preço médio dos imóveis anunciados para venda fixou-se nos 430.000 euros, exatamente o mesmo valor registado em Agosto de 2025. No arrendamento, o valor médio nacional manteve-se igualmente nos 1.300 euros mensais.
A estabilidade dos indicadores nacionais esconde, contudo, movimentos bastante distintos a nível regional. Na venda, o Centro registou a maior subida homóloga, de 14,6%, enquanto no arrendamento foi o Norte que mais valorizou, com um crescimento de 20%.
“A estabilidade dos preços a nível nacional não significa que todas as regiões estejam a evoluir da mesma forma. Quando olhamos para o território encontramos diferenças muito significativas, tanto na venda como no arrendamento”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Centro lidera subida dos preços de venda
No mercado de compra e venda, o Centro apresentou a maior valorização regional. O preço médio dos imóveis anunciados passou de 257.500 para 295.000 euros, correspondendo a uma subida anual de 14,6%.
Dentro da região, Coimbra destacou-se com um crescimento de 17%, passando de 265.000 para 310.000 euros. Seguiram-se Santarém, com uma subida de 12%, para 280.000 euros, e Leiria, que avançou 11,1%, para 350.000 euros.
A Guarda foi a excepção, com uma descida de 3,6%, para 94.000 euros.
No Sul, o preço médio de venda atingiu 270.000 euros, mais 8% do que há um ano. Portalegre registou a maior subida regional, de 25%, passando de 120.000 para 150.000 euros. Beja cresceu 11,1%, para 200.000 euros, enquanto Faro, apesar de uma subida anual de 6,4%, manteve-se entre os mercados mais caros, com um preço médio de 580.000 euros.
Em Setúbal, o valor médio chegou aos 486.000 euros, mais 2,3% num ano.
Norte cresce, mas Porto contraria tendência
No Norte, o preço médio dos imóveis para venda situou-se nos 290.000 euros, reflectindo um crescimento homólogo de 3,6%.
A evolução foi particularmente expressiva em Bragança, onde os preços aumentaram 31%, para 131.000 euros. Vila Real subiu 16,7%, para 210.000 euros, e Viseu avançou 11,9%, para 250.000 euros.
A tendência regional não foi, porém, acompanhada por todos os mercados. O Porto registou uma queda de 13%, com o preço médio a passar de 434.000 para 377.500 euros. Aveiro também recuou, 7,3%, para 355.000 euros.
Em Lisboa, o preço médio dos imóveis anunciados para venda caiu 3,1% em termos homólogos, de 650.000 para 630.000 euros. Na comparação mensal, contudo, o mercado da capital recuperou 5%, face aos 599.900 euros registados em Julho.
Ilhas com fortes contrastes
Também nos arquipélagos se verificaram movimentos muito diferenciados.
A Ilha Terceira registou a maior subida anual do preço médio de venda, de 57,4%, passando de 190.000 para 299.000 euros.
Em São Miguel, o preço médio fixou-se nos 389.900 euros, menos 1,3% do que há um ano, enquanto na Madeira o valor recuou 3,4%, de 590.000 para 570.000 euros.
Rendas avançam 20% no Norte
No arrendamento, o Norte assumiu a liderança das subidas. O preço médio mensal aumentou 20% num ano, de 750 para 900 euros.
Bragança apresentou o crescimento mais acentuado, de 35%, passando de 500 para 675 euros. Viana do Castelo subiu 21,3%, para 910 euros, enquanto no Porto a renda média chegou aos 1.200 euros, mais 9,1% do que em Agosto de 2025.
No Centro, o valor médio das rendas fixou-se nos 788 euros, apenas 1,6% acima do registado um ano antes. Santarém liderou as subidas, com 13,3%, para 850 euros, e Castelo Branco avançou 9,1%, para 600 euros.
Lisboa permaneceu praticamente estável, com uma ligeira descida de 0,9%, para 1.685 euros mensais. Coimbra apresentou uma redução mais expressiva, de 9,4%, para 725 euros.
No Sul, as rendas atingiram os 975 euros mensais, mais 1% num ano. Faro continuou a ser o mercado mais caro da região, com 1.388 euros, depois de uma subida anual de 11,1%. Setúbal registou um aumento de 8,3%, para 1.300 euros, enquanto Beja foi o único distrito da região a recuar, com uma descida de 3,8%, para 625 euros.
Terceira e São Miguel destacam-se no arrendamento
Nas ilhas, a Ilha Terceira voltou a destacar-se, desta vez no arrendamento, com uma subida de 42,9%, para 1.000 euros mensais.
Em São Miguel, a renda média aumentou 30%, passando de 1.000 para 1.300 euros. Na Madeira, pelo contrário, o valor manteve-se estável nos 1.500 euros mensais.
Poucas alterações face a Julho
A comparação mensal confirma a estabilidade do mercado a nível nacional. Na venda, o preço médio passou de 427.000 para 430.000 euros, uma subida de cerca de 0,7%. No arrendamento, o valor manteve-se nos 1.300 euros.
Por regiões, o Centro registou uma subida mensal de 1,9% nos preços de venda, enquanto o Sul avançou 1,2%. No arrendamento, o Norte manteve-se nos 900 euros, o Centro recuou 1,6% e o Sul apresentou uma descida mensal de 7,1%.
Os dados do Imovirtual mostram, assim, um mercado residencial marcado por uma aparente estabilidade nacional, mas com ritmos de evolução muito diferentes entre territórios. O Centro destaca-se na valorização dos imóveis para venda, enquanto o Norte lidera o crescimento das rendas, ao mesmo tempo que alguns mercados, como Porto, Lisboa e Coimbra, registam descidas.
A realidade regional confirma, por isso, que a análise do mercado imobiliário português exige uma leitura para além dos indicadores nacionais, uma vez que preços e rendas continuam a evoluir a velocidades muito diferentes consoante o território.
















