
Cushman & Wakefield
Mercado europeu de escritórios: Procura por espaços de elevada qualidade atinge níveis recorde
O mercado europeu de escritórios continua a ser impulsionado por uma procura crescente por espaços de elevada qualidade em localizações centrais e por uma oferta cada vez mais limitada, de acordo com o mais recente relatório European Office Update da Cushman & Wakefield.
Em 2025, os espaços Grade A representaram 52% de toda a actividade de arrendamento na região EMEA, um máximo histórico. As rendas prime cresceram pelo 20.º trimestre consecutivo e a taxa de desocupação de edifícios Grade A desceu para 3,5%, reflectindo a forte preferência dos ocupantes por espaços modernos, eficientes e bem localizados. Em simultâneo, o pipeline de novos projectos caiu para o nível mais baixo desde 2016, intensificando a competição entre ocupantes e criando novas oportunidades para investidores.
“A qualidade tornou-se o principal critério para os ocupantes em toda a Europa, o que está a restringir a disponibilidade de espaços com especificações elevadas. Ao mesmo tempo, assistimos ao regresso dos investidores, apoiado por uma melhoria da liquidez e pelo crescimento consistente das rendas prime”, afirma Javier Bernades, Head of Offices, EMEA da Cushman & Wakefield.
De acordo com o estudo da consultora, a absorção de escritórios na Europa atingiu 10,5 milhões de m² em 2025, com as zonas centrais de negócios (CBDs) a concentrarem 67% da actividade total, reforçando o valor da centralidade, conectividade e oferta de serviços. As rendas prime aumentaram 4,6% em termos anuais, com o Reino Unido e França a liderarem o crescimento. Em Lisboa, a renda prime na Avenida da Liberdade registou uma subida de 5,3% face ao ano anterior.
A atividade de promoção continuou a desacelerar, com a área em construção a cair para 10,1 milhões de m², o nível mais baixo desde 2016. Os elevados custos de construção e financiamento têm limitado novos projetos, levando a um pipeline mais reduzido e a níveis de pré‑arrendamento mais elevados.
Segundo Pedro Salema Garção, Partner e Head of Offices da Cushman & Wakefield Portugal, “Lisboa acompanha claramente as tendências europeias, com maior pressão sobre as rendas e uma procura muito forte por projetos de elevada qualidade em localizações centrais. Apesar de existirem cerca de 300.000 m² em construção, a maioria dos projetos só deverá começar a entrar no mercado em 2027, estando já 37% pré‑arrendados”.
O investimento em escritórios totalizou 52 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 14% face ao ano anterior, com uma recuperação gradual da liquidez e compressão das yields prime pelo sexto trimestre consecutivo. As perspectivas apontam para a continuação do crescimento das rendas em 2026 e 2027, ainda que a um ritmo mais moderado, num contexto em que a oferta limitada de espaços de elevada qualidade continuará a ser o principal desafio do mercado.












