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Mediação imobiliária: Um negócio das Américas!

 

Mediação imobiliária: Um negócio das Américas!

11 de fevereiro de 2026

A norte-americana Compass Real Estate concluiu a aquisição da Anywhere Real Estate por 1,6 mil milhões de dólares (cerca de 1,38 mil milhões de euros), dando origem a um dos maiores grupos mundiais de mediação imobiliária, avaliado em aproximadamente 10 mil milhões de dólares.

A operação, aprovada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, coloca sob o mesmo accionista marcas como ERA Real Estate, Century 21, Coldwell Banker, Sotheby's International Realty, Corcoran Group, Christie's International Real Estate e Better Homes & Gardens Real Estate. No total, o novo grupo reúne mais de 340 mil agentes distribuídos por cerca de 120 países.

O negócio prevê sinergias com cortes de custos estimados em 225 milhões de dólares, mas incorpora também a estrutura de dívida da Anywhere, superior a 3,3 mil milhões de dólares.


O que muda em Portugal

Em Portugal, onde operam redes como ERA, Century 21 e Christie’s, o impacto directo deverá ser limitado no curto prazo. O modelo de franchising e a autonomia operacional das estruturas locais deverão manter-se, segundo as garantias transmitidas pela nova estrutura accionista.

Responsáveis nacionais das redes encaram a operação com prudente optimismo. A expectativa centra-se sobretudo no reforço do investimento tecnológico e numa maior visibilidade internacional das marcas — um factor relevante num mercado onde os compradores estrangeiros, em particular norte-americanos, têm vindo a ganhar peso.
Ricardo Costa, da afiliada portuguesa da Christie’s, admitiu ao Expresso que a operação poderá aumentar a exposição internacional do mercado nacional e acelerar a aposta tecnológica. Já Ricardo Sousa, da Century 21, destacacou ao mesmo semanário a possibilidade de reforçar ferramentas, partilha de boas práticas e inovação, sublinhando a importância da continuidade contratual e da autonomia local. Rui Torgal, da ERA, recordou que alterações ao nível da holding internacional tiveram, historicamente, impacto reduzido na operação portuguesa.


As marcas da Compass


Consolidação num sector em transformação

Fundada em 2012, a Compass cresceu apoiada numa plataforma tecnológica integrada, forte investimento em marketing e numa estratégia agressiva de captação de agentes de topo, tornando-se líder nos Estados Unidos em volume de transacções. A aquisição da Anywhere representa um salto de escala e uma consolidação estrutural do sector.

Nos EUA, a operação já teve efeitos na liderança: o então CEO da Anywhere, Ryan Schneider, e o CTO (director da Área Tecnológica) Rudy Wolfs deixaram funções após a conclusão da fusão.

Para vários analistas, esta consolidação reflecte uma necessidade de adaptação num sector pressionado por margens mais reduzidas, litígios judiciais relacionados com comissões e uma transformação tecnológica acelerada.


O novo gigante e a posição da RE/MAX

Importa sublinhar que a RE/MAX Holdings — a maior rede de mediação imobiliária a operar em Portugal — não integra nem a Compass nem a Anywhere.
A RE/MAX pertence à RE/MAX Holdings, empresa norte-americana cotada na Bolsa de Nova Iorque, e opera em regime de franchising em mais de 140 países e territórios, através de dezenas de milhares de agentes independentes. Em termos de presença geográfica e capilaridade internacional, continua a ser uma das redes com maior implantação mundial.

A diferença estratégica é clara: A RE/MAX destaca-se pela ampla presença global e modelo descentralizado de franchising. Ao passo que a
Compass, até agora, afirmava-se pela concentração de mercado nos EUA e pela forte integração tecnológica.

Com a aquisição da Anywhere, a Compass ganha dimensão internacional através de marcas históricas como Century 21, ERA e Sotheby’s. Ainda assim, a RE/MAX mantém vantagem em cobertura geográfica global.


Impacto estrutural no mercado

A médio prazo, o principal efeito poderá sentir-se na aceleração da digitalização do sector, na maior competição por talento e numa crescente consolidação internacional.
Em Portugal, embora não se antecipem mudanças operacionais imediatas, a escala global do novo grupo e o seu perfil tecnológico poderão intensificar a modernização do mercado e reforçar a concorrência num sector cada vez mais globalizado.