
Mediação imobiliária: Um negócio das Américas!
A norte-americana Compass Real Estate concluiu a aquisição da Anywhere Real Estate por 1,6 mil milhões de dólares (cerca de 1,38 mil milhões de euros), dando origem a um dos maiores grupos mundiais de mediação imobiliária, avaliado em aproximadamente 10 mil milhões de dólares.
A operação, aprovada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, coloca sob o mesmo accionista marcas como ERA Real Estate, Century 21, Coldwell Banker, Sotheby's International Realty, Corcoran Group, Christie's International Real Estate e Better Homes & Gardens Real Estate. No total, o novo grupo reúne mais de 340 mil agentes distribuídos por cerca de 120 países.
O negócio prevê sinergias com cortes de custos estimados em 225 milhões de dólares, mas incorpora também a estrutura de dívida da Anywhere, superior a 3,3 mil milhões de dólares.
O que muda em Portugal
Em Portugal, onde operam redes como ERA, Century 21 e Christie’s, o impacto directo deverá ser limitado no curto prazo. O modelo de franchising e a autonomia operacional das estruturas locais deverão manter-se, segundo as garantias transmitidas pela nova estrutura accionista.
Responsáveis nacionais das redes encaram a operação com prudente optimismo. A expectativa centra-se sobretudo no reforço do investimento tecnológico e numa maior visibilidade internacional das marcas — um factor relevante num mercado onde os compradores estrangeiros, em particular norte-americanos, têm vindo a ganhar peso.
Ricardo Costa, da afiliada portuguesa da Christie’s, admitiu ao Expresso que a operação poderá aumentar a exposição internacional do mercado nacional e acelerar a aposta tecnológica. Já Ricardo Sousa, da Century 21, destacacou ao mesmo semanário a possibilidade de reforçar ferramentas, partilha de boas práticas e inovação, sublinhando a importância da continuidade contratual e da autonomia local. Rui Torgal, da ERA, recordou que alterações ao nível da holding internacional tiveram, historicamente, impacto reduzido na operação portuguesa.
Consolidação num sector em transformação
Fundada em 2012, a Compass cresceu apoiada numa plataforma tecnológica integrada, forte investimento em marketing e numa estratégia agressiva de captação de agentes de topo, tornando-se líder nos Estados Unidos em volume de transacções. A aquisição da Anywhere representa um salto de escala e uma consolidação estrutural do sector.
Nos EUA, a operação já teve efeitos na liderança: o então CEO da Anywhere, Ryan Schneider, e o CTO (director da Área Tecnológica) Rudy Wolfs deixaram funções após a conclusão da fusão.
Para vários analistas, esta consolidação reflecte uma necessidade de adaptação num sector pressionado por margens mais reduzidas, litígios judiciais relacionados com comissões e uma transformação tecnológica acelerada.
O novo gigante e a posição da RE/MAX
Importa sublinhar que a RE/MAX Holdings — a maior rede de mediação imobiliária a operar em Portugal — não integra nem a Compass nem a Anywhere.
A RE/MAX pertence à RE/MAX Holdings, empresa norte-americana cotada na Bolsa de Nova Iorque, e opera em regime de franchising em mais de 140 países e territórios, através de dezenas de milhares de agentes independentes. Em termos de presença geográfica e capilaridade internacional, continua a ser uma das redes com maior implantação mundial.
A diferença estratégica é clara: A RE/MAX destaca-se pela ampla presença global e modelo descentralizado de franchising. Ao passo que a
Compass, até agora, afirmava-se pela concentração de mercado nos EUA e pela forte integração tecnológica.
Com a aquisição da Anywhere, a Compass ganha dimensão internacional através de marcas históricas como Century 21, ERA e Sotheby’s. Ainda assim, a RE/MAX mantém vantagem em cobertura geográfica global.
Impacto estrutural no mercado
A médio prazo, o principal efeito poderá sentir-se na aceleração da digitalização do sector, na maior competição por talento e numa crescente consolidação internacional.
Em Portugal, embora não se antecipem mudanças operacionais imediatas, a escala global do novo grupo e o seu perfil tecnológico poderão intensificar a modernização do mercado e reforçar a concorrência num sector cada vez mais globalizado.














