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Mário Centeno diz que edifícios comprados pelo BdP em 2025 já "valorizaram" 10 milhões — sem nunca terem sido vendidos

A futura Entrecampos. Imagem Fidelidade Property Europe, SA

Mário Centeno diz que edifícios comprados pelo BdP em 2025 já "valorizaram" 10 milhões — sem nunca terem sido vendidos

10 de julho de 2026

O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno veio  anunciar uma boa notícia sobre um negócio que já não se vai fazer: segundo as suas contas, os dois edifícios de Entrecampos cuja compra decidiu no ano passado valorizaram cerca de 10 milhões de euros — um cálculo que assenta inteiramente no preço do edifício que o BdP vai comprar em vez deles.

O actual governador, Álvaro Santos Pereira, anunciou ontem no parlamento que o banco central vai adquirir apenas um edifício em Entrecampos, o A1, em vez dos dois inicialmente previstos (A2 e A3), por considerar esta solução "mais adequada". Foi assinado um acordo com a Fidelidade para a compra do A1 em regime "core & shell" por 165 milhões de euros — menos do que os 191,99 milhões que o próprio Centeno tinha fechado em Maio de 2025 para os dois edifícios anteriores.



Os edifícios que o BdP já não vai comprar valorizaram quase 10 milhões de euros.

Chamado ao parlamento logo a seguir, Centeno preferiu não se debruçar sobre a diferença de preço e escolheu, em vez disso, fazer contas de outro tipo: "a julgar pelos valores que agora vieram a público", os edifícios que o BdP já não vai comprar valorizaram quase 10 milhões de euros. "Se o BdP fosse vender hoje aqueles dois edifícios no mercado ao preço que está a comprar o A1, eram 10 milhões", insistiu, perguntando aos deputados se essa valorização era "pouca" para menos de um ano. "Eu acharia brilhante se me apresentassem esse negócio", disse ainda, notando que poucos investimentos desta dimensão valorizam tanto — num raciocínio que dispensa o pequeno detalhe de os edifícios em causa nunca terem chegado a ser comprados, nem, por consequência, a ser vendidos.



Álvaro Santos Pereira e Mário Centeno



... mas os novos imóveis agora adquiridos também valorizaram na mesma ordem...!!!!

Questionado sobre as dúvidas que persistiam no ano passado quanto aos valores finais de compra, Centeno defendeu a transparência do processo, garantindo que o ministro das Finanças "sabia todos os números sobre este projecto". Aproveitou ainda para criticar o facto de Santos Pereira ter ontem revelado intervalos de preço para os acabamentos do futuro edifício, considerando que isso faz o BdP "perder poder negocial" ao entregar ao mercado a sua margem de disponibilidade para pagar. Reconheceu que as negociações exigiam alguma reserva, que "se calhar pode estar em choque com visões de transparência", mas argumentou que, sem essa contenção, "quem ia perder era o BdP, os seus dividendos, as contas públicas e o accionista do BdP".



Cartoon gerado por IA



Sobre a redução de dois para um edifício, Centeno recorreu a um argumento técnico: o A1 é mais pequeno do que a soma do A2 com o A3, e na altura em que o BdP escolheu a localização, a instituição "não cabia no A1". Santos Pereira, por seu turno, justificou a opção com as novas dinâmicas de trabalho no edifício da Rua Álvaro Pais — nomeadamente o modelo open space e a flexibilização do teletrabalho — e com o reforço da rede regional do banco, que deverá reduzir o número de funcionários a trabalhar em Lisboa.

Lusa/DI