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Mais de 1.700 assinam petição contra construção em altura na Madeira

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Mais de 1.700 assinam petição contra construção em altura na Madeira

28 de julho de 2026

Mais de 1.700 cidadãos assinaram uma petição pela salvaguarda do modelo urbano da Madeira, rejeitando o aumento da construção em altura e exigindo um amplo debate público sobre o tema. Segundo a Lusa, que consultou o documento, a petição contava esta semana com 1.732 assinaturas.

A iniciativa surgiu na sequência de declarações do presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, que defendeu recentemente a revisão do Plano Director Municipal (PDM) do Funchal, de forma a permitir a construção de prédios habitacionais em altura, até 20 andares, como resposta à falta de terrenos disponíveis.

Os peticionários pedem aos partidos com representação no parlamento madeirense que promovam um projeto de resolução recomendando ao Governo da Madeira (PSD/CDS-PP) a não aprovação de "alterações legislativas, regulamentares ou de planeamento territorial que permitam, como regra geral, a construção de edifícios com mais de dez pisos na região". Solicitam ainda que os instrumentos de gestão territorial sejam orientados "para um modelo de crescimento urbano equilibrado, compatível com a escala das cidades madeirenses, com a preservação da paisagem e com a capacidade das infraestruturas existentes", defendendo que o governo regional deve priorizar antes "políticas públicas de reabilitação urbana, regeneração de áreas consolidadas, reutilização de edifícios devolutos e simplificação administrativa para pequenas ampliações habitacionais".


Os argumentos de Miguel Albuqerque...

Segundo o texto da petição, a definição do modelo urbano da Madeira "constitui uma decisão geracional, cujos efeitos perdurarão durante décadas", pelo que deveria ser promovido um amplo debate público envolvendo universidades, ordens profissionais, autarquias, associações e especialistas em urbanismo, arquitectura, ambiente e ordenamento do território. Os peticionários argumentam ainda que "a mera multiplicação da capacidade construtiva não constitui garantia de habitação mais acessível", alertando que os edifícios em altura "tendem a exigir infraestruturas mais complexas, maior pressão sobre as redes públicas, maiores necessidades de mobilidade, estacionamento, abastecimento de água, saneamento, protecção civil e equipamentos colectivos, custos que recaem, em larga medida, sobre a comunidade".

Contactado pelo Diário de Notícias (DN) da Madeira, Miguel Albuquerque desvalorizou a contestação. "São sempre os mesmos, que são contra o Governo há 30 anos e contra tudo o que se faz na Madeira. Foram contra a Promenade, o teleférico do Funchal e são sempre contra tudo o que significa desenvolvimento", afirmou o presidente do Governo Regional, à margem de uma visita à Festa da Lapa, no Paul do Mar. Albuquerque considerou que a proposta do Executivo tem sido alvo de "demagogia", acusando os críticos de omitirem aspectos essenciais da revisão das regras de construção. Segundo o governante, "aquilo que se propõe é permitir construção em altura apenas em zonas onde não exista impacto paisagístico, sobretudo no anfiteatro do Funchal e nas principais vias".