
Lisboa e Porto consolidam liderança no retalho imobiliário com rendas sob pressão e oferta escassa
Lisboa e Porto afirmam-se como os principais mercados de retalho imobiliário em Portugal, com taxas de disponibilidade de espaços comerciais de apenas 5% e 6%, respectivamente. As conclusões constam do relatório anual da aRetail, elaborado em parceria com a Gesvalt.
Lisboa lidera com 20 mil milhões de euros em facturação
A capital concentra 29% do mercado nacional de retalho, com uma facturação de 20 mil milhões de euros em 2025. O dinamismo assenta no turismo — 15,9 milhões de dormidas e 19,5% dos hóspedes nacionais — e na reabilitação constante das zonas centrais, que atraem marcas de luxo e internacionais para eixos como a Avenida da Liberdade, o Chiado e o Príncipe Real.
A ocupação nos principais eixos é dominada pela moda (65%, incluindo 20% de joalharia), serviços (9%) e outros sectores (13%). Em termos de procura activa, restauração (47%) e moda (26%) lideram. As rendas variam entre 65€ e 240€/m², com os espaços abaixo dos 100 m² a atingir os valores mais elevados (220€-240€/m²) e os espaços acima dos mil metros quadrados entre 65€ e 75€/m². O yield na Avenida da Liberdade situa-se entre 4,25% e 5%.
A escassez de espaços e a baixa rotação do comércio de rua pressionam as rendas, num mercado alimentado pelo turismo e pelo crescimento de residentes estrangeiros no centro da cidade.
Porto cresce 9,5% nas rendas mas padece de falta de oferta
O Porto registou o maior crescimento de rendas de retalho em 2025 — 9,5% —, aproximando-se de Lisboa mas ainda com valores inferiores: entre 50€ e 160€/m². Os principais eixos de investimento concentram-se na Baixa, Avenida dos Aliados e Clérigos, onde o turismo — cerca de 10 milhões de dormidas em 2025, com crescimento de 4,6% — alimenta a procura.
A moda lidera a ocupação com 53% (incluindo 5% de joalharia), seguida de outros sectores (16%), cosméticos (8%), restauração (10%) e serviços (6%). Na procura activa por novos espaços, a restauração (54%) e a moda (35%) são os sectores mais dinâmicos. O yield na zona de Santa Catarina situa-se entre 4,75% e 6%, acima dos valores de Lisboa, mas a escassez de oferta nas zonas centrais trava um crescimento mais expressivo, reforçando o peso dos centros comerciais.
No terreno, a aRetail assessorou em Lisboa a abertura da Parfois na Rua Augusta e o novo espaço cultural da Rua dos Fanqueiros. No Porto, mediou a localização de uma loja Scalpers e operações de restauração na Rua de Santa Catarina — exemplos de como ainda é possível diversificar sectores no centro da cidade sem recorrer a grandes superfícies.















