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Christine Lagarde - Foto Martin Lamberts/European Central Bank 2019

Christine Lagarde - Foto Martin Lamberts/European Central Bank 2019

Lagarde alerta para fragilidade da economia da Zona Euro e defende subida das taxas de juro

23 de junho de 2026

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou esta quarta-feira que a economia da Zona Euro continua vulnerável aos efeitos da instabilidade geopolítica no Médio Oriente, apesar do recente acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão. A responsável defendeu, ao mesmo tempo, a decisão de aumentar as taxas de juro, considerando-a adequada face ao atual contexto de incerteza económica.

Durante uma audição na comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Lagarde sublinhou que as perspectivas económicas permanecem incertas e que persistem riscos tanto para a inflação como para o crescimento económico.

“O acordo de paz no Médio Oriente é bem-vindo, mas a situação continua frágil, existindo riscos de retrocessos ou de uma nova escalada”, afirmou a presidente do BCE.

A responsável destacou que o impacto da guerra nos preços da energia continua a ser um dos principais factores de preocupação para a economia europeia. Segundo explicou, as consequências sobre a inflação e o crescimento económico dependerão da intensidade e da duração dos choques energéticos, bem como dos seus efeitos indirectos sobre outros sectores da economia.

A intervenção surge cerca de duas semanas após o BCE ter decidido aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, elevando a taxa de referência para 2,25%, naquela que foi a primeira subida em quase três anos, desde Setembro de 2023.

Christine Lagarde defendeu a decisão, considerando que se trata de uma medida “sólida em todos os cenários” analisados pelos especialistas da instituição.

“Em todos eles, um aumento das taxas justifica-se”, afirmou, acrescentando que o BCE está “bem posicionado para enfrentar a incerteza provocada pela guerra”.

A presidente da autoridade monetária europeia reiterou ainda que o banco central continuará a adoptar uma abordagem prudente e dependente dos dados económicos disponíveis, avaliando a política monetária reunião a reunião.

“Acompanharemos de perto os desenvolvimentos e seguiremos uma abordagem dependente dos dados para determinar a orientação adequada da política monetária”, acrescentou.

O contexto geopolítico mantém-se, no entanto, um dos principais factores de risco para a economia europeia. No passado dia 14 de Junho, Estados Unidos e Irão anunciaram um entendimento preliminar destinado a pôr fim às hostilidades e a abrir negociações sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e questões de segurança regional.

Apesar do avanço diplomático, a concretização do acordo permanece dependente do cumprimento dos compromissos assumidos por ambas as partes, mantendo-se a incerteza sobre a sua implementação efectiva.

O BCE continua, assim, a navegar num cenário particularmente complexo, marcado pela persistência das pressões inflacionistas, pela fragilidade do crescimento económico europeu e pela crescente influência dos acontecimentos geopolíticos nas decisões de política monetária.

LUSA com Diário Imobiliário