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Investimento imobiliário na Europa em 2026: Três tendências que vão moldar o sector

 

Investimento imobiliário na Europa em 2026: Três tendências que vão moldar o sector

7 de janeiro de 2026

O mercado imobiliário europeu prepara-se para entrar em 2026 num contexto de profunda transformação. A escassez de terrenos disponíveis para novos projectos, a existência de elevados níveis de poupança privada à procura de investimentos estáveis e o reforço das exigências regulatórias estão a redefinir as estratégias de investidores e promotores em toda a Europa, refere uma análise da InRento, uma plataforma digital europeia de investimento.

A estes factores juntam-se novas expectativas em matéria de sustentabilidade, avanços tecnológicos e mudanças nos padrões de utilização dos edifícios. Perante este cenário, o sector é forçado a adaptar-se rapidamente.

Especialistas apontam três grandes tendências que deverão marcar o investimento imobiliário europeu nos próximos anos: Sustentabilidade, reconversão de edifícios e propriedade fracionada.

Sustentabilidade passa a ser requisito essencial

A sustentabilidade deixou de ser um elemento diferenciador para se tornar uma condição básica no imobiliário europeu. Regulamentos mais rigorosos sobre emissões de carbono, eficiência energética e critérios ESG estão a influenciar de forma decisiva a avaliação e viabilidade dos activos.

Edifícios que não cumpram estes requisitos enfrentam um risco crescente de desvalorização ou mesmo de obsolescência, tornando-se menos atrativos para investidores e ocupantes. Em contrapartida, imóveis reabilitados e energeticamente eficientes tendem a ganhar vantagem competitiva, beneficiando de maior procura, rendas mais estáveis e melhor perspetiva de valorização a longo prazo.

Apesar dos benefícios, o caminho para a sustentabilidade não está isento de desafios. Custos elevados, escassez de mão de obra qualificada e novas obrigações de reporte e conformidade colocam pressão adicional sobre proprietários e promotores, especialmente no parque imobiliário mais antigo.

Reconversão de edifícios ganha peso

Com menos espaço para novas construções, a reconversão de edifícios existentes está a ganhar protagonismo no investimento imobiliário europeu. Antigos escritórios, espaços comerciais ou edifícios industriais estão a ser transformados em habitação, unidades hoteleiras, alojamento para estudantes ou projetos de uso misto.

Esta abordagem permite responder mais rapidamente às mudanças na procura e, em muitos casos, reduzir custos e prazos face aos projectos de raiz. Além disso, a reconversão contribui para a redução do impacto ambiental associado à demolição e construção integral de novos edifícios.

No entanto, nem todos os activos são facilmente adaptáveis. Limitações estruturais, características físicas dos edifícios e regras urbanísticas podem dificultar os projectos. Neste contexto, o recurso a tecnologias como a inteligência artificial e a análise avançada de dados começa a desempenhar um papel relevante no planeamento, design e optimização dos investimentos.

Propriedade fraccionada democratiza o acesso ao investimento

Outra tendência em crescimento é a propriedade fraccionada e o crowdfunding imobiliário, que estão a alargar o acesso ao investimento em imobiliário a um público mais vasto. Tradicionalmente reservado a investidores com elevado capital, o sector passa agora a permitir participações com montantes mais reduzidos em projectos de maior escala.

Estes modelos facilitam a diversificação de portefólios e oferecem uma forma mais passiva de exposição ao imobiliário. No entanto, colocam também novos desafios, nomeadamente ao nível da protecção do investidor, da gestão de múltiplos proprietários e do enquadramento regulatório, sobretudo em operações transfronteiriças.

A transparência, a governação e a gestão profissional assumem, por isso, um papel central na construção da confiança e na consolidação deste modelo de investimento.

Conclusão: Um novo ciclo para o imobiliário europeu

Em 2026, o imobiliário europeu entra assim num novo ciclo, caracterizado por maior exigência ambiental, uso mais eficiente do património existente e um acesso mais democrático ao investimento. Os agentes do sector que conseguirem alinhar estratégia, tecnologia e regulação estarão melhor preparados para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que se desenham no horizonte.