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Investimento em imobiliário comercial cresce cerca de 10% em 2025

O retail voltou a liderar o investimento imobiliário (29%). Imagem Rio Shopping - Seixal.

Investimento em imobiliário comercial cresce cerca de 10% em 2025

5 de janeiro de 2026

O investimento em imobiliário comercial em Portugal atingiu cerca de 2.670 milhões de euros em 2025, registando um crescimento próximo de 10% face a 2024, num ano marcado pela estabilização do mercado após um período de maior volatilidade. O arranque de 2026 deverá manter esta dinâmica, com vários negócios transitados do final do ano anterior previstos para conclusão nos primeiros meses.
Segundo dados da consultora Cushman & Wakefield, o capital estrangeiro continuou a ter um peso relevante, representando cerca de 60% do volume investido, embora abaixo dos máximos históricos, o que reflecte um reforço gradual do investimento doméstico.

O retalho voltou a liderar o investimento, concentrando 29% do total, seguido dos escritórios (26%) e da hotelaria (20%). Os activos alternativos — incluindo residências de estudantes e seniores — representaram 13%, enquanto o segmento industrial e logístico absorveu 11%.


Os escritórios absorveram 26% do investimento comercial


Ocupação abranda, mas rendas continuam a subir

No mercado ocupacional, verificou-se uma redução da absorção em vários segmentos. Nos escritórios, a ocupação caiu 23% em Lisboa e 51% no Porto, enquanto a logística registou uma quebra de 30%. Apesar disso, a consultora sublinha que 2024 foi um ano excepcional, o que atenua a leitura negativa destes números.
No retalho, o número de novas aberturas recuou 20%, embora a restauração tenha mantido um nível elevado de dinamismo. Já a hotelaria mostrou-se resiliente, com a abertura de mais de 80 novos hotéis, que acrescentaram cerca de 4.800 camas ao mercado.

Apesar da menor absorção, as rendas subiram na maioria dos segmentos, sobretudo nas localizações prime, reflectindo sobretudo a escassez de oferta qualificada e não uma retracção da procura. As yields comprimiram em quase todos os sectores, com excepção dos escritórios em Lisboa, que se mantiveram estáveis nos 5%.

No final de 2025, os yields prime situavam-se em 5,0% para escritórios em Lisboa, 6,5% no Porto, 5,5% na logística, 4,0% no comércio de rua e 6,15% nos centros comerciais.
Para Paulo Sarmento, Head of Portugal da Cushman & Wakefield, 2025 foi um ano de consolidação, marcado pela estabilização das taxas de juro e pelo regresso progressivo dos investidores institucionais ao mercado, com foco em activos de maior qualidade.


Habitação acessível no centro das atenções em 2026

A consultora aponta a habitação acessível como um dos principais desafios e oportunidades para 2026, num contexto de expectativa em torno de novas medidas legislativas. O desenvolvimento de projectos destinados ao segmento médio, sobretudo em zonas periféricas das grandes áreas urbanas, poderá ganhar tracção, em particular se houver avanços no enquadramento legal e fiscal do modelo Build to Rent.

Para 2026, a Cushman & Wakefield antecipa ainda uma aceleração da transformação do sector, com a sustentabilidade, a tecnologia e os novos formatos de ocupação a assumirem um papel estrutural. Escritórios híbridos e flexíveis deverão consolidar-se nas zonas centrais, enquanto no retalho se reforçará a integração entre canais físicos e digitais. Na logística, a proximidade aos centros urbanos e a aposta em armazéns tecnologicamente avançados deverão ganhar relevância.