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Imobiliário de luxo nos Alpes suíços valoriza 29% em cinco anos

Alpes italianos - Foto wirestock em Magnific.com

Imobiliário de luxo nos Alpes suíços valoriza 29% em cinco anos

27 de outubro de 2026

Os preços das casas de luxo nos Alpes suíços aumentaram 29% nos últimos cinco anos, mais do dobro da valorização registada em França, segundo um relatório da Knight Frank, que identifica uma procura crescente por destinos de montanha com atividade durante todo o ano.

De acordo com o The Alpine Report 2026/27, divulgado pela consultora imobiliária Knight Frank, parceira em Portugal da Quintela + Penalva, os preços dos imóveis de luxo nos principais mercados alpinos subiram, em média, 3,2% no ano terminado em junho de 2026.

A evolução foi, contudo, desigual entre destinos. Davos, na Suíça, registou a maior valorização anual, de 14,5%, seguida de Andermatt, também na Suíça, com 12,5%, e de Cortina d'Ampezzo, em Itália, com 10%.

Em sentido contrário, Morzine, em França, apresentou uma descida de 3,3%, enquanto Gstaad, na Suíça, registou uma correção de 2,6%. Apesar desta redução, Gstaad mantém-se como o mercado imobiliário alpino mais caro, com preços médios de 44.440 euros por metro quadrado.

O relatório atribui a evolução dos preços a fatores como a escassez de imóveis disponíveis, a procura internacional, a qualidade das infraestruturas e a capacidade dos destinos para atrair visitantes fora da época de esqui.



Turismo de verão ganha importância

Uma das principais tendências identificadas pela Knight Frank é a transformação das estâncias de montanha em destinos turísticos de quatro estações, com uma oferta crescente de atividades ao ar livre, bem-estar, gastronomia e experiências de natureza.

Na Suíça, foram registadas 25,2 milhões de dormidas em estabelecimentos hoteleiros durante o verão de 2025, acima dos 18,6 milhões contabilizados no inverno de 2024/25. Os números referem-se à totalidade do território suíço.

Em paralelo, a oferta de voos de verão para os aeroportos que servem os Alpes já corresponde a 92% dos volumes registados no inverno, segundo o relatório.

Para Francisco Quintela, sócio fundador da Quintela + Penalva | Knight Frank, o mercado está a evoluir de um modelo assente na sazonalidade para uma utilização mais diversificada dos imóveis.

“O ski continua a ser importante, mas a natureza, o bem-estar, as atividades ao ar livre, a autenticidade e a qualidade de vida assumem um papel cada vez mais determinante nas decisões de investimento”, afirma.

Alterações climáticas influenciam valorização

A adaptação às alterações climáticas constitui outro fator relevante para o mercado imobiliário alpino. Segundo o estudo, a queda de neve diminuiu 34% entre 1920 e 2020, aumentando a importância da altitude e da diversificação da oferta turística.

Nas estâncias situadas abaixo dos 1.200 metros, a variação média anual dos preços dos imóveis de luxo passou de 8% em 2022 para -1% no período mais recente.

Já os destinos localizados entre os 1.200 e os 1.499 metros registaram uma valorização média de 4,7%, enquanto aqueles acima dos 1.500 metros apresentaram um crescimento de 5%.

A altitude não é, contudo, o único fator determinante. Cortina d'Ampezzo, situada a 1.224 metros, valorizou 10%, beneficiando, segundo a Knight Frank, da projeção internacional e dos investimentos associados aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.



Procura internacional sustenta mercado de luxo

A consultora identifica também um interesse crescente por imóveis destinados a residência principal, em alternativa à tradicional utilização como segunda habitação de férias.

Alex Koch de Gooreynd, partner da Knight Frank, considera que a oferta limitada, a procura internacional e a estabilidade da Suíça continuam a sustentar os preços, ao mesmo tempo que aumenta o número de compradores interessados em viver permanentemente nos destinos alpinos.

Outra tendência é o crescimento das chamadas branded residences, imóveis associados a marcas de luxo que disponibilizam serviços personalizados e comodidades semelhantes às da hotelaria de gama alta.

O mercado de arrendamento acompanha esta transformação. Segundo o relatório, cerca de 95% dos compradores nos Alpes franceses optam por disponibilizar os imóveis para arrendamento, enquanto a procura durante o verão cresce aproximadamente 10% ao ano.

A Knight Frank conclui que a valorização futura dos imóveis alpinos dependerá cada vez mais da capacidade de cada destino para combinar qualidade de vida, acessibilidade, infraestruturas e atividades turísticas ao longo das quatro estações, reduzindo a dependência da época de neve.