
Gasóleo dispara 30,4% e construção pede medidas urgentes ao Governo
O preço do gasóleo simples aumentou 30,4% num ano, passando de 1,558 euros por litro em agosto de 2025 para 2,030 euros em agosto deste ano, segundo dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Perante esta escalada, a AICCOPN voltou a pedir ao Governo medidas urgentes para travar o impacto dos combustíveis sobre as empresas de construção.
A pressão sobre os custos não ficou limitada à evolução homóloga. Entre 13 de agosto e 13 de setembro de 2026, o preço do gasóleo registou uma nova subida de 7,3%, agravando uma tendência que a associação considera particularmente preocupante para um setor fortemente dependente do transporte rodoviário, maquinaria e equipamentos pesados.
Construção enfrenta custos acrescidos
Para a AICCOPN, o aumento do preço dos combustíveis tem um impacto direto na estrutura de custos das empresas, tanto pela utilização de máquinas e equipamentos como pelo transporte de materiais e pela deslocação associada às obras.
A associação chama ainda a atenção para a diferença de fiscalidade entre Portugal e Espanha. Segundo a AICCOPN, a carga fiscal sobre o gasóleo em Espanha é cerca de 26 cêntimos por litro inferior à praticada em Portugal, criando uma desvantagem adicional para as empresas portuguesas.
Perante este cenário, a associação diz ter reiterado junto do Governo a necessidade de adotar medidas de mitigação com caráter de urgência.
Quatro medidas em cima da mesa
Entre as propostas apresentadas pela AICCOPN está o alargamento do regime do gasóleo profissional ao setor da construção, permitindo reduzir o impacto do combustível nos custos das empresas.
A associação defende também uma redução temporária do IVA do gasóleo, de 23% para 13%, bem como uma diminuição do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), com o objetivo de eliminar o diferencial de carga fiscal face a Espanha.
A quarta medida passa pelo reforço dos mecanismos de revisão de preços, de forma a permitir que os aumentos excecionais dos custos sejam refletidos mais rapidamente nos contratos de empreitada em execução.
Risco para obras e investimento
A AICCOPN considera que o problema ultrapassa o impacto imediato na margem das empresas. A manutenção de preços elevados dos combustíveis poderá, segundo a associação, afetar a capacidade de assegurar a continuidade e a execução atempada das empreitadas.
A preocupação foi também transmitida ao Presidente da República, numa iniciativa destinada a chamar a atenção para a dimensão do problema e para os potenciais efeitos sobre a execução dos investimentos públicos e privados.
A associação alerta que, sem medidas de mitigação, a escalada dos combustíveis poderá colocar maior pressão sobre a sustentabilidade das empreitadas e sobre os contratos atualmente em execução.
Num setor com um peso relevante na concretização do investimento, da habitação e das infraestruturas, a AICCOPN defende que a resposta aos custos energéticos deverá ser rápida, de forma a evitar que a subida dos combustíveis se traduza em atrasos ou dificuldades adicionais na execução das obras.
A associação garante que continuará a acompanhar a evolução dos preços dos combustíveis e a defender junto das entidades competentes a adoção de medidas que considera adequadas à dimensão do problema.















